Serviços de Inteligência seguiram rasto de uma namorada até à cidade mexicana de Tapalpa e raide foi montado em tempo recorde. "El Mencho" ainda fugiu para uma área de vegetação, mas foi abatido.
Com a voz embargada, o General Ricardo Trevilla Trejo, secretário da Defesa Nacional do México, deu esta segunda-feira uma conferência de imprensa a explicar todos os pormenores da operação militar que levou à morte do narcotraficante "El Mencho", no domingo. E tal como num filme, a pista seguida através de uma namorada, acabou por revelar-se fundamental.
Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido por "El Mencho", líder do cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), uma das organizações criminosas mais violentas e com maior presença territorial no México e pelo qual os EUA ofereciam uma recompensa de 15 milhões de dólares (cerca de 12,7 milhões de euros), era procurado há mais de uma década. Mas agindo quase como um fantasma e devido às suas ligações à segurança mexicana e a outros altos contactos, foi conseguindo sempre escapar. Até este domingo.
O Exército mexicano chegou a "El Mencho" através de uma namorada. A Inteligência Militar ajudou a localizar o narcotraficante depois de este se ter encontrado com a companheira em Tapalpa, Jalisco, no dia 20 de fevereiro. A mulher só deixou a propriedade no dia a seguir, e informações da Inteligência Militar indicaram que "El Mencho" permaneceu no local, numa cabana, debaixo de um forte esquema de segurança.
A partir daqui, o plano de ataque foi prontamente montado em tempo recorde com a ajuda das forças especiais do Exército, da Guarda Nacional e de aeronaves da Força Aérea Mexicana, numa operação que contou com a colaboração dos Estados Unidos.
Ricardo Trevilla confirmou que a colaboração dos EUA consistiu na troca de dados e informações: “A localização inicial da área foi determinada por elementos da inteligência militar e outras informações foram dadas por autoridades americanas, cujo trabalho reconhecemos”. Mas fez questão de vincar que a identificação da companheira de "El Mencho" e do seu círculo íntimo foi feita pela inteligência militar mexicana.
“Neste caso, o governo americano forneceu informações, mas toda a operação, desde o planeamento, é da responsabilidade das forças federais, neste caso, do Ministério da Defesa Nacional”, disse por sua vez a presidente mexicana Claudia Sheinbaum, também presente na conferência de imprensa.
Assim que conseguiram confirmar a presença do narcotraficante, as forças militares deslocaram-se para Tapalpa para o prender. Mas quando chegaram ao local, foram recebidos com tiros por parte da segurança pessoal de "El Mencho", numa operação descrita como "muito violenta", na qual terão morrido oito criminosos e dois soldados ficaram feridos.
"El Mencho" e alguns elementos da sua segurança pessoal ainda conseguiram fugir para uma área de grande vegetação, na tentativa de se esconderem. Os militares montaram então um perímetro e conseguiram cercá-lo. Seguiu-se um novo tiroteio, onde um helicóptero militar foi atingido e obrigado a aterrar, e após nova troca de tiros, o narcotraficante e outros elementos do grupo ficaram gravemente feridos. "El Mencho" acabou por morrer a caminho do hospital, assim como alguns elementos do seu cartel.
No local, os militares apreenderam armas, veículos blindados e lançadores de foguetes capazes de abater aviões.
O braço direito de "El Mencho", conhecido por "El Tuli", também morreu durante as operações em Jalisco. "Ele coordenava bloqueios de estradas, incêndios em viaturas, ataques a instalações militares, à Guarda Nacional, a empresas, a prédios governamentais. Também oferecia dinheiro por cada soldado que matasse membros deste grupo criminoso", revelou Trevilla.
O General reconheceu e elogiou o trabalho realizado pelos militares que participaram na operação e expressou as suas condolências às famílias dos oficiais que perderam a vida. "Gostaria de aproveitar esta oportunidade para, em primeiro lugar, apresentar as minhas condolências às famílias dos nossos colegas que perderam a vida, e também para reconhecer o trabalho dos militares que realizaram uma operação bem-sucedida. Pode-se analisar a situação sob várias perspetivas, mas é evidente que eles cumpriram a sua missão. E o que foi demonstrado? A força do Estado mexicano. Disso não há dúvida", afirmou.
Omar García Harfuch, Secretário de Segurança Pública do México, anunciou entretanto esta segunda-feira que pelo menos 25 elementos da Guarda Nacional e um membro da Procuradoria-Geral da República foram mortos em atentados que se seguiram ao anúncio da morte de "El Mencho" em várias cidades mexicanas.
Oseguera Cervantes, conhecido por "El Mencho", foi morto pelas forças militares no domingo, durante uma operação em Tapalpa, 130 quilómetros ao sul de Guadalajara, capital de Jalisco.
A sua morte é um dos golpes mais duros desferidos ao narcotráfico desde a prisão dos fundadores do cartel de Sinaloa, Joaquín Guzmán "El Chapo" e Ismael "Mayo" Zambada, detidos nos Estados Unidos.
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