Governo britânico propõe à UE criação de mercado único de bens pós-Brexit

Desde que assumiu o cargo, o líder trabalhista reiterou que o Reino Unido não regressará nem ao mercado único nem à união aduaneira, e também não aceitará o regresso à livre circulação de pessoas.

23 de maio de 2026 às 13:43
Bandeira Reino Unido Foto: Getty Images
Partilhar

O Governo britânico propôs à União Europeia (UE) a criação de um mercado único de bens para aprofundar a relação económica entre os dois blocos no pós-Brexit, noticiou este sábado a imprensa britânica.

O jornal The Guardian e a estação televisiva BBC avançaram que Michael Ellam, a principal autoridade do Reino Unido para as relações com a UE, apresentou a proposta no decorrer das negociações que precedem a próxima cimeira bilateral, agendada para julho, embora Bruxelas tenha recebido a proposta com ceticismo.

Pub

De acordo com as mesmas fontes, as autoridades da UE rejeitaram inicialmente a ideia e defenderam fórmulas já experimentadas, como uma união aduaneira ou a integração do Reino Unido no Espaço Económico Europeu (EEE), alternativas que são incompatíveis com as linhas vermelhas estabelecidas pelo primeiro-ministro Keir Starmer.

Desde que assumiu o cargo, o líder trabalhista reiterou que o Reino Unido não regressará nem ao mercado único nem à união aduaneira, e também não aceitará o regresso à livre circulação de pessoas.

Fontes do Governo britânico indicaram, no entanto, que a criação de um mercado único de mercadorias era apenas uma das várias opções exploradas e negaram que Bruxelas a tivesse descartado definitivamente.

Pub

A proposta britânica de criar um mercado único de bens, sem aceitar a livre circulação de cidadãos, provavelmente enfrentaria as mesmas objeções que a então primeira-ministra conservadora, Theresa May, enfrentou em 2018 durante as negociações do acordo comercial após o referendo do Brexit.

Desde então, Bruxelas teme que um tratamento preferencial ao Reino Unido possa encorajar as forças eurocéticas noutros Estados-membros e enfraquecer os princípios do mercado único.

A segunda cimeira bilateral entre Londres e Bruxelas está prevista para 13 de julho, embora a data ainda não tenha sido oficialmente confirmada.

Pub

No encontro, as duas partes esperam finalizar vários acordos negociados após a primeira cimeira na capital britânica, ocorrida a 19 de maio de 2025.

Entre eles, encontra-se um acordo veterinário e fitossanitário para reduzir as barreiras comerciais dos produtos agrícolas e alimentares, a interligação dos mercados de emissões de carbono e um possível desbloqueio do programa de mobilidade juvenil.

Prosseguem também negociações sobre a cooperação industrial na área da defesa, o acesso do Reino Unido ao programa de empréstimos europeus à Ucrânia, a inovação tecnológica e a coordenação para combater a imigração irregular.

Pub

Apesar das linhas vermelhas traçadas, o governo de Starmer tem-se mostrado determinado a estreitar os laços com a UE, esperando-se que a questão do Brexit seja colocada em destaque em eventuais futuras eleições internas para o seu lugar.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar