Grécia aceita conversações com a troika
Instituições comunitárias vão iniciar reuniões técnicas com a Grécia.
O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras e o presidente do Eurogroupo, Jeroen Dijsselbloem, chegaram esta quinta-feira a um entendimento para iniciar um diálogo técnico entre peritos da Comissão Europeia, do FMI e do BCE, e as autoridades gregas, revela a agência noticiosa italiana ANSA.
Este diálogo servirá para encurtar a distância que separa a posição da 'troika', baseada no regate acordado com a Grécia e a posição grega, que pede uma renegociação dos termos da ajuda externa.
A análise técnica inicial estará pronta antes da reunião do Eurogrupo sobre o tema, na próxima segunda-feira.
Reunião informal
Segundo a porta-voz de Dijsselbloem, Simone Boitelle, o chefe do Governo grego e o ministro das Finanças holandês reuniram-se à margem do Conselho Europeu e concordaram em pedir às instituições que integram a 'troika' - Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional - que iniciem conversações com as autoridades de Atenas a fim de preparar a reunião de segunda-feira dos ministros das Finanças da zona euro.
Boitelle adiantou ainda que o objetivo dos contactos é "facilitar as discussões no Eurogrupo" agendado para segunda-feira, no qual se espera que haja acordo sobre o futuro da ajuda financeira a Atenas, sendo que o atual programa de assistência financeira termina no fim do mês.
Segundo a mesma fonte, pretende-se encontrar uma "base comum" entre o atual programa de assistência e os planos propostos por Atenas para se financiar a curto prazo libertando-se das medidas de austeridade impostas pelos credores.
Gregos com "grande otimismo"
Relativamente às negociações em curso, fontes governamentais gregas deram esta quinta-feira conta do seu "grande otimismo" sobre a possibilidade de um compromisso na próxima segunda-feira, data em que se realiza novo Eurogrupo, e explicaram que a dificuldade básica, para já, é "se a base da discussão é o programa anteriormente acordado (com o governo de Antonis Samaras) ou não".
Do ponto de vista do novo Governo grego, "não se pode pedir a um governo eleito, com um novo programa, que implemente o anterior, com as condicionalidades que foram rejeitadas pelo povo grego", razão pela qual Atenas quer um "acordo ponte", de transição entre o anterior programa e um novo, que também prevê equilíbrio orçamental e reformas, mas com outras prioridades.
Garantindo que o Governo grego está disposto a fazer concessões, "e fê-las", e a cumprir as regras da UE, "embora discorde de várias", as fontes indicaram que o objetivo é chegar a uma "solução viável para ultrapassar a crise humanitária criada pelo anterior programa" na Grécia, que agrade a todas as partes.
As fontes sublinharam que o importante é encontrar agora um compromisso político, e não técnico, não se tratando de mais dinheiro que Atenas pretende, até porque "as necessidades financeiras da Grécia são geríveis" no médio prazo.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt