Meloni assume como nova prioridade de Itália conter subida dos preços

Primeira-ministra italiana garantiu que não mudou de opinião quanto à importância de aumentar a despesa com a Defesa, mas reforçou que agora há outras prioridades para o país.

28 de abril de 2026 às 19:03
Giorgia Meloni Foto: Gregorio Borgia/AP
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A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, assumiu esta terça-feira como nova prioridade do seu executivo a contenção da pressão inflacionista, designadamente a subida dos preços no setor energético resultante do conflito no Médio Oriente e do bloqueio do estreito de Ormuz.

"No atual contexto de crise internacional com que nos deparamos, a questão de manter os preços e a energia sob controlo, bem como de prevenir um impacto inflacionista que claramente travará o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), deve ser considerada uma prioridade", declarou Meloni numa conferência de imprensa, em Roma, após um Conselho de Ministros.

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Giorgia Meloni garantiu que não mudou de opinião quanto à importância de aumentar a despesa com a Defesa, mas reforçou que agora há outras prioridades para o país.

"Não mudei de opinião sobre a questão dos gastos com a Defesa, e assumo a responsabilidade por isso, porque sei que não é uma questão muito popular. Continua a ser uma prioridade, mas não no contexto atual. Hoje devo dar prioridade ao que está a acontecer a nível económico, porque se já não tiver uma nação, não há necessidade de a defender", declarou.

Com as contas públicas italianas no "vermelho" -- o país continua sob um Procedimento por Défice Excessivo a nível comunitário dado manter um défice acima dos 3% do PIB -, a primeira-ministra admitiu recorrer a uma "certa flexibilidade" no Orçamento do Estado para lidar com a crise energética, argumentando que o parlamento já deu autorização, por tratar-se de uma questão prioritária a nível de defesa e segurança.

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"O parlamento já tinha autorizado o Governo a adotar uma certa flexibilidade nas contas no que diz respeito às despesas com a defesa e a segurança, no valor de 0,15% do PIB, o que equivale a 3,7 mil milhões. Se hoje me perguntarem o que são as despesas com a defesa e a segurança, a questão energética está incluída", disse.

Os Estados Unidos anunciaram na segunda-feira que estão a analisar uma nova proposta iraniana para desbloquear o estreito de Ormuz, quase paralisado desde o início da guerra no Médio Oriente.

As negociações entre os Estados Unidos e o Irão para terminar o conflito e reabrir totalmente o estreito estratégico não avançaram desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em 08 de abril.

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O Irão atacou com mísseis e drones os vizinhos do golfo, incluindo o Qatar, em resposta aos ataques norte-americanos e israelitas contra a República Islâmica lançados a 28 de fevereiro.

Teerão visou interesses norte-americanos, mas também diversas infraestruturas, como refinarias de petróleo, complexos de gás e fábricas petroquímicas.

A guerra e o consequente bloqueio do estreito de Ormuz têm causado o receio de uma crise económica global devido ao aumento dos preços do petróleo e do gás natural, bem como do transporte de mercadorias.

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