"Não temos contacto com eles": Irmão de médica portuguesa desconhece paradeiro de ativistas detidos por Israel em flotilha

Família de Beatriz está em contacto com o gabinete do Presidente da República após ter solicitado uma audiência com urgência e refere comunicação "fraca" por parte do MNE.

19 de maio de 2026 às 22:31
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"Não temos contacto nenhum com eles, qualquer tipo de comunicação foi cortada": foram estas as palavras utilizadas pelo irmão de Beatriz Bartilotti para descrever a situação vivida pela irmã e Gonçalo Dias, os dois médicos portugueses que foram detidos esta segunda-feira pelas autoridades israelitas no âmbito da missão "Sumud Global Flotilla". 

A embarcação de ajuda humanitária onde seguiam, que se deslocava para a Faixa de Gaza, foi intercetada em águas internacionais e, até ao momento, não são conhecidas as condições em que se encontram os dois médicos. 

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O CM falou com o irmão de Beatriz que explicou que desde a notícia da detenção da irmã e do colega Gonçalo, que a comunicação com o Ministério dos Negócios Estrangeiros tem sido uma "reação mista", uma vez que considera que a informação à qual as famílias têm acesso "é fraca".

"Não temos contacto nenhum com eles, qualquer tipo de comunicação foi cortada", confessou o irmão de Beatriz ao CM.   

O primeiro passo da família foi contactar a embaixada de Portugal em Israel, no entanto, a família confessa que esse contacto "foi difícil". "Os sistemas de atendimento são muito fracos e a única forma de os contactar inicialmente foi por email", explicou.

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A família de Beatriz está em contacto com o gabinete do Presidente da República, António José Seguro, após ter solicitado uma audiência com urgência.

O irmão de Beatriz reforçou ainda o descontentamento e preocupação por parte da família, visto que a detenção aconteceu em águas internacionais, ao largo da costa do Chipre, e a embarcação onde seguiam os dois médicos é de ajuda humanitária, considerando assim que se trata de um "crime internacional". 

O que é a Flotilha Global Sumud?

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A Flotilha Global Sumud é um movimento global de pessoas comuns: organizadores, humanitários, médicos, estudantes, sindicalistas e marinheiros, unidos por diferentes profissões e continentes para defender a dignidade humana e o direito internacional.

"A nossa ação na primavera de 2026 será o maior esforço marítimo civil coordenado em prol da Palestina até ao momento: mais de 70 embarcações e mais de mil participantes de mais de 70 países", explicam no website. 

Surgida como resposta direta aos apelos dos palestinianos em Gaza, a Flotilha Global Sumud permanece ancorada na liderança palestiniana e impulsionada por movimentos populares em todo o mundo.

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"O nosso propósito é transformar essas missões em poder político duradouro e num modelo replicável para a justiça global", escreveram. 

Ordem dos médicos considera que Governo está a agir para garantir segurança

O bastonário da Ordem dos Médicos afirmou, esta terça-feira, que o Estado português está a agir no sentido de garantir a integridade, segurança e repatriamento dos profissionais que integravam a Flotilha e foram detidos. 

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Carlos Cortes confirmou ter tentado entrar em contacto com os médicos portugueses em causa, no entanto, não conseguiu. 

"Não vou entrar em pormenores, mas sei que está a existir uma intervenção do Estado português no sentido de, muito rapidamente, garantir dois aspetos: a integridade, segurança e a dignidade destes dois médicos e serem repatriados", afirmou o bastonário.

Governo português convoca embaixador israelita

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Paulo Rangel confirmou que o Governo português convocou na segunda-feira o embaixador israelita em Lisboa para protestar contra a detenção, "em violação do direito internacional", dos dois médicos portugueses que integravam a Flotilha.

Rangel adiantou que o Governo está a acompanhar a situação através da embaixada em Telavive e dos serviços consulares, que "imediatamente contactaram as autoridades israelitas no sentido de garantir, por um lado, a libertação imediata destas pessoas e, por outro lado, que sejam tratadas com todo o respeito e com garantia de todos os seus direitos fundamentais".

O irmão de Beatriz confessou ao CM que teve conhecimento desta reunião através da comunicação social, mas não recebeu qualquer tipo de contacto por parte do Ministro dos Negócios Estrangeiros sobre o tema. 

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Todas as embarcações foram intercetadas

Foi intercetado, esta terça-feira, o navio "Lina", o último da Flotilha que ainda seguia caminho rumo à Faixa de Gaza. 

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