Além dos dois clínicos portugueses, várias dezenas de cidadãos espanhóis seguiam também na flotilha intercetada por Israel, tendo sido entre dez e 20 os detidos pelas autoridades israelitas.
A Ordem dos Médicos condenou esta segunda-feira a detenção de dois médicos portugueses pelas autoridades israelitas no âmbito da missão Global Sumud Flotilla e afirmou que continuará a acompanhar "com bastante preocupação" o caso.
"Os médicos devem ser protegidos e respeitados em todas as circunstâncias. Nunca podem ser alvo de violência, intimidação ou qualquer forma de condicionamento, independentemente do contexto político ou militar", afirmou o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, num comunicado.
A ordem profissional indicou que foi esta tarde informada da detenção dos médicos portugueses, Beatriz Bartilotti e Gonçalo Dias, "após a interceção da embarcação em que seguiam [o navio "Tenaz"], em águas internacionais".
"De imediato, o bastonário estabeleceu contactos com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, tendo sido informado que os dois médicos se encontram sob custódia das autoridades israelitas, devendo posteriormente ser repatriados para Portugal", lê-se no documento.
A Ordem dos Médicos sublinhou ainda que "está a acompanhar em permanência a situação em articulação com o Ministério dos Negócios Estrangeiros e com o Ministério da Saúde, a quem solicitou a devida observância da legislação internacional, ao abrigo da Convenção de Genebra e das normas da Associação Médica Mundial, no sentido de acionar todos os mecanismos diplomáticos necessários ao regresso seguro dos dois cidadãos, assim como da garantia plena da integridade física e psicológica dos dois portugueses".
Reafirmando "o compromisso inabalável com a defesa da vida, da dignidade humana e da proteção dos médicos em todas as circunstâncias", a ordem precisou que "continuará a acompanhar o caso com a máxima atenção, mantendo contacto permanente com as autoridades portuguesas".
Além dos dois clínicos portugueses, várias dezenas de cidadãos espanhóis seguiam também na flotilha intercetada por Israel, tendo sido entre dez e 20 os detidos pelas autoridades israelitas, indicou o Governo espanhol.
O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, indicou que a flotilha tinha 54 embarcações, em que seguiam perto de 500 tripulantes e 45 seriam espanhóis, embora se trate de uma informação ainda não "totalmente verificada".
A interceção da flotilha e a detenção de tripulantes que iam nos barcos é "uma nova violação do direito internacional" por parte de Israel, disse o MNE espanhol.
Sejam desembarcados em Chipre ou levados para Israel, trata-se de uma atuação "inaceitável e uma detenção ilegal", sublinhou.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou a interceção pelas forças israelitas de uma nova "flotilha para Gaza", ao lago da costa de Chipre, acusando-a de ser uma iniciativa maliciosa por pretender quebrar o bloqueio que Israel diz impor "aos terroristas do [movimento islamita palestiniano] Hamas".
O exército israelita afirmou que os participantes da flotilha serão "transferidos para um grande navio de carga", que classificou como "navio-prisão", e levados para o porto israelita de Ashdod.
Até agora, as autoridades israelitas não divulgaram o número de detidos nem de embarcações intercetadas.
Mais de 50 embarcações partiram na semana passada do porto de Marmaris, na Turquia, naquela que os organizadores da Global Sumud Flotilla descreveram como a etapa final da viagem planeada até à costa da Faixa de Gaza.
A transmissão em direto da organização mostrou ativistas a bordo de várias embarcações a vestir coletes salva-vidas e a erguer as mãos antes da aproximação de uma embarcação com tropas israelitas.
Os militares, equipados com material tático, abordaram o navio, tendo a transmissão sido interrompida abruptamente. Muitas das embarcações encontram-se atualmente ao largo da costa de Chipre.
Outras imagens mostram forças israelitas em lanchas rápidas a aproximarem-se e a ordenarem aos ativistas que se deslocassem para a parte da frente da embarcação.
Pelo menos 17 barcos foram intercetados nas primeiras três horas da operação, segundo o sistema de monitorização da Global Sumud Flotilla.
Os organizadores indicaram que as embarcações foram intercetadas a 250 milhas náuticas (463 quilómetros) da costa de Gaza.
Israel mantém um bloqueio sobre a Faixa de Gaza desde que o grupo radical Hamas assumiu o controlo do território em 2007, um ano depois de vencer as eleições legislativas palestinianas.
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