Putin minimiza dificuldades económicas da Rússia e insiste na soberania
Presidente russo acusou o Ocidente de minar a economia e as finanças globais com sanções unilaterais, frisando que, ao congelar os ativos russos no exterior, as nações ocidentais corroeram a confiança em suas próprias moedas.
O Presidente russo, Vladimir Putin, minimizou esta sexta-feira as dificuldades económicas enfrentadas pelo país, preferindo destacar a soberania e as parcerias com os países do chamado sul global.
"De todos os lados nos dizem que tudo está a correr mal no nosso país. [...]. Sim, a dinâmica económica está atualmente moderada", declarou Putin durante um discurso perante responsáveis políticos e empresários russos e estrangeiros durante um importante fórum de investimento em São Petersburgo.
"Num contexto tenso e difícil, a Rússia continua a reforçar a sua soberania [...] alargando o círculo dos seus parceiros", acrescentou, salientando que os países em desenvolvimento têm assumido um papel cada vez mais importante na economia global, enquanto a participação dos países ocidentais na produção diminuiu.
No discurso no Fórum Económico Internacional de São Petersburgo, Putin acusou o Ocidente de minar a economia e as finanças globais com sanções unilaterais, frisando que, ao congelar os ativos russos no exterior, as nações ocidentais corroeram a confiança em suas próprias moedas.
"As sanções e o bloqueio das reservas soberanas da Rússia impactaram irreversivelmente a posição das moedas internacionais, o dólar e o euro", disse.
"Assim como a Rússia, qualquer outro país pode perder o acesso aos seus ativos legítimos em dólares ou em euros, bem como aos sistemas financeiros e de pagamento ocidentais", referiu, alegando que a alta dívida pública "contribuiu para minar a confiança global" nas instituições ocidentais.
Para Putin, as raízes da atual turbulência global residem na transição de um modelo vertical e hierárquico, que servia aos interesses de um pequeno número de Estados, para um modelo mais complexo, distribuído e multipolar.
"A Rússia vê as mudanças globais não apenas como uma ameaça, mas também como imensas oportunidades. E para capitalizar sobre elas, pretendemos agir com rapidez e pragmatismo", acrescentou
O fórum ocorre em um momento em que as perspetivas económicas da Rússia se tornaram incertas face ao conflito na Ucrânia. O governo aumentou os impostos e intensificou os empréstimos internos para manter seu défice orçamental sob controlo.
Na quinta-feira, numa sessão de perguntas e respostas com a imprensa estrangeira, Putin indicou ser "um exagero" dizer que a economia da Rússia estava em dificuldades, observando que Moscovo tomou medidas destinadas a arrefecer a economia e manter a inflação sob controlo.
Putin tem usado o fórum de São Petersburgo, comparado ao Fórum Mundial em Davos, na Suíça, para exibir os avanços económicos russos e incentivar o investimento estrangeiro.
Embora autoridades e líderes empresariais ocidentais se tenham mantido afastados desde que Putin enviou tropas para a Ucrânia em 2022, a Rússia tem procurado convidados de outras zonas geopolíticas para reforçar o objetivo declarado de promover um "mundo multipolar".
A Arábia Saudita enviou uma grande delegação este ano, e os presidentes do Uzbequistão e da Tanzânia, bem como o vice-presidente da China, também estão presentes. Um representante dos EUA, Rodney Mims Cook Jr., chefe da Comissão de Belas Artes dos Estados Unidos, participa do evento pela primeira vez em anos.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt