Reclusas violadas após guarda prisional vender chave da cela a presos do sexo masculino

Segundo a acusação, os homens atacaram-nas durante mais de duas horas, no dia 24 de outubro de 2021.

28 de julho de 2022 às 19:30
prisão, grades, cela, mãos Foto: Getty Images
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Duas reclusas da prisão de Clark County, em Jeffersonville, nos Estados Unidos, foram violadas após vários presos do sexo masculino terem invadido a cela durante a noite. O processo judicial acusa um guarda prisional de ter vendido a chave daquela cela aos homens, para que pudessem abusar das reclusas. O caso aconteceu em outubro de 2021 e está agora a ser julgado.

Segundo conta o The Washington Post, as mulheres estariam à espera do guarda para fazer a ronda quando a porta se abriu e entraram dois reclusos, homens, mascarados com talhas e cobertores. Os dois indivíduos ameaçaram matá-las caso alertassem os guardas prisionais.

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Saíram para mais tarde regressar com outros reclusos e abusar sexualmente das mulheres. Os homens expuseram os seus genitais, gritaram obscenidades e apalparam as mulheres, de acordo com o processo judicial. Foi o início do que as mulheres descreveriam mais tarde como "uma noite de terror".

Agora, pelo menos 28 mulheres estão a processar a Xerife de Clark, Jamey Noel, e o então oficial da prisão, David Lowe, pelo facto de ambos, assim como os guardas prisionais que para eles trabalhavam, terem violado os direitos das mulheres, quer intencionalmente, quer por negligência, permitindo que os reclusos masculinos tivessem acesso às suas celas. O processo foi submetido no Tribunal Distrital dos EUA de Indiana do Sul.

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Segundo a acusação, os homens atacaram-nas durante mais de duas horas, no dia 24 de outubro de 2021.

"Os guardas prisionais têm um único trabalho: manter os reclusos a salvo e seguros. Foi um fracasso completo e absoluto que permitiu que isto acontecesse [nesta prisão]", disse Steve Wagner, um advogado que representa oito mulheres, ao The Washington Post. "Queremos saber como foi possível acontecer uma coisa destas".

Já Larry Wilder, um advogado representante do gabinete do Xerife de Clark, culpou o ataque "pelas ações criminosas imprevisíveis de um guarda prisional desonesto" que abandonou a sua formação e abandonou a sua ética quando deu aos reclusos acesso às chaves da prisão.

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O guarda prisional em causa, Lowe, de 29 anos, disse ao jornal norte-americano que cometeu um erro e que esse mesmo erro permitiu aos reclusos do sexo masculino roubar as chaves que lhes davam acesso à ala feminina. O homem alegou ter-se tratado de um acidente e que só teve conhecimento do sucedido alguns dias depois porque tinha estado a trabalhar noutro local da cadeia.

Lowe, que trabalhou no gabinete do Xerife durante cerca de um ano, alegou ter sido "coagido e agredido para fazer uma falsa confissão" sobre a venda das chaves aos reclusos. O guarda foi despedido poucos dias após o ataque. Entretanto, já foi acusado de má conduta, cúmplice da fuga de um recluso e cúmplice de tráfico dentro da prisão. 

De acordo com um dos processos, que foi arquivado esta semana, Lowe pediu cerca de mil euros, a 23 de outubro, em troca de dar a dois reclusos do sexo masculino acesso a chaves que lhes permitiriam deambular livremente por várias áreas restritas dentro da prisão. Na sua entrevista com The Washignton Post, Lowe negou ter ficado com qualquer dinheiro.

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No processo as vítimas relatam com detalhe o ataque: vários homens empurraram uma das mulheres contra o lado de um cacifo e prenderam-na lá enquanto apalpavam os seus seios. Depois, um deles violou-a. Como resultado, a mulher contraiu herpes genital.

Uma outra mulher foi violada e acabou por engravidar. Mais tarde abortou, disse William McCall ao jornal norte-americano.

Embora o ataque tenha durado mais de duas horas, nenhum guarda prisional veio para o impedir, alega o processo. As câmaras de vigilância estavam funcionais e na posição em que estavam, teriam captado os homens que entraram na cela, mas "nem um único guarda prisional em serviço naquela noite veio auxíliar as vítimas", lê-se no processo judicial.

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Ainda assim, e após o ataque, os guardas puniram as mulheres. O processo afirma que as luzes foram deixadas acesas durante 72 horas seguidas, colocaram as celas em isolamento e ainda confiscaram almofadas, cobertores e artigos de higiene pessoal.

Os funcionários da prisão não mudaram as fechaduras da cela, apesar de as chaves ainda estarem em falta, alega o processo.

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