Sérgio Moro ocultou ter recebido dinheiro de palestra

Ex-juiz e atual ministro da Justiça tem tido a imagem bastante arranhada com a divulgação de mensagens do seu telemóvel.

Sérgio Moro deu palestra em setembro de 2016, quando era juiz, e não informou os seus superiores da verba que ganhou Foto: Lusa
Sérgio Moro Foto: Reuters
Sérgio Moro Foto: EPA

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Transformado em herói nacional ao comandar a operação anticorrupção Lava Jato, o ex-juiz Sérgio Moro está a ser acusado de ter ocultado o recebimento de verbas de, pelo menos, uma palestra que deu quando ainda era magistrado e que não declarou na prestação de contas obrigatória a todos os magistrados. A denúncia é do site The Intercept, que há semanas tem divulgado mensagens atribuídas a Moro e outras autoridades.

A palestra foi dada por Moro em Novo Hamburgo, a sul do Brasil, no dia 21 de setembro de 2016, a convite do grupo de comunicação social, Sinos, mas não consta na relação de palestras e outros eventos paralelos à atividade de juiz informados por Moro à instância superior, relativa a esse ano. Uma fonte da organização disse, sob anonimato, que Moro recebeu cerca de 3500 euros pela palestra, mas pode ter sido pelo menos o dobro, dado o prestígio de que o então já desfrutava.

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A palestra só foi descoberta agora após o The Intercept ter divulgado uma mensagem atribuída a Moro, datada de 22 de maio de 2017 e endereçada ao chefe do Ministério Público na Lava Jato, Deltan Dallagnol, em que o ex-juiz e hoje ministro da Justiça diz que voltou a ser procurado pelo Grupo Sinos para uma nova palestra e se vangloria de a anterior ter sido "bem paga". Questionado, Moro não negou a autenticidade da mensagem e atribuiu a não declaração da palestra na prestação de contas a "um lapso".

Desde que o site começou a divulgar mensagens, principalmente de Moro e Dallagnol, a imagem de ambos ficou bastante arranhada. Soube-se que Dallagnol chegou a receber 7100 euros por uma palestra também não declarada e dada, ironicamente, numa empresa suspeita de corrupção, e que ele e Moro combinavam ações e versões para forçarem a condenação de arguidos, entre eles o ex-presidente Lula da Silva.

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SAIBA MAIS

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de março de 2014 foi a data que marcou o início da Operação Lava Jato que já levou à condenação de várias pessoas por corrupção e lavagem de dinheiro.

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Apoio da população

A março de 2016, surgiu um movimento de apoio à Operação Lava Jato e, ao mesmo tempo, de protesto contra a então presidente Dilma Rousseff. Este foi considerado o maior movimento populacional alguma vez realizado no Brasil, que acabou por ser responsável pelo impeachment de Dilma Rousseff.

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