Supremo Tribunal dos EUA mantém lei que proibe atletas transgénero de competir em equipas femininas

Administração Trump argumentou que os estados deveriam separar as equipas com base neste critério devido às "diferenças biológicas entre homens e mulheres".

14 de janeiro de 2026 às 07:53
Supremo Tribunal dos EUA Foto: Getty Images
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O Supremo Tribunal dos Estados Unidos, que conta com uma maioria conservadora, decidiu manter as leis estaduais que proíbem atletas transgénero de participar em equipas femininas de competições escolares e universitárias, perante as ações judiciais de dois estudantes.

Durante mais de três horas de debate, os juízes analisaram as ações judiciais apresentadas por Becky Pepper-Jackson, estudante do ensino secundário na Virgínia Ocidental, e Lindsay Hecox, aluna da Universidade de Idaho, que alegam que a exclusão de pessoas trans de equipas femininas é inconstitucional e discriminatória.

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Mas, pelo menos cinco dos seis juízes conservadores do Supremo consideraram que as leis estaduais não violam a Constituição nem prejudicam os interesses salvaguardados pelo artigo IX, a histórica lei dos direitos civis que proíbe a discriminação por motivos de sexo em qualquer escola ou programa educativo federal.

Embora não haja uma data definitiva para a publicação do acórdão, o tribunal superior costuma publicar as suas decisões em junho, antes do final do ano judicial.

A decisão afetaria todos os atletas trans que competem em desportos escolares e universitários nos Estados Unidos e também leis e medidas semelhantes em outros 25 estados onde a sua participação é proibida.

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Tribunais inferiores decidiram anteriormente a favor das duas jovens, que contestaram as proibições estaduais, mas o Supremo Tribunal, com maioria conservadora (6-3), não parece que vá seguir o mesmo critério.

Esta batalha legal insere-se na ampla campanha da administração do presidente Donald Trump contra as pessoas transgénero.

Ao regressar ao poder, em janeiro de 2025, Trump assinou uma ordem executiva que obriga a reconhecer apenas dois sexos, masculino e feminino, e ordenou que apenas o sexo atribuído à nascença fosse reconhecido em documentos oficiais, uma decisão que causou a rejeição do movimento LGTBI e provocou ações judiciais para travar esta decisão.

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Durante a sessão no Supremo, a administração Trump argumentou que os estados deveriam separar as suas equipas desportivas com base neste critério devido às "diferenças biológicas reais entre homens e mulheres".

Trump, durante um discurso esta quarta-feira em Detroit, disse que é "incrível" que esses casos tenham chegado ao Supremo Tribunal: "Isso é ridículo. É uma falta de respeito para com as mulheres. Imaginam, há 20 anos, falar de homens a competir em desportos femininos?".

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