“Vou-te cravar esta faca no peito”: Testemunhos e contradições no caso de Samuel morto à pancada em Espanha

Apenas um dos jovens acusados de homicídio respondeu a todas as perguntas em tribunal de Espanha.

11 de agosto de 2021 às 09:52
Samuel tinha 24 anos Foto: Direitos Reservados
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Ouvidos em tribunal, os jovens acusados de homicídio pela morte de Samuel Luiz, jovem homossexual que foi assassinado à pancada na Corunha, em Espanha, entraram em contradições sobre o que se passou na noite do crime, ocorrido a 3 de julho.

De acordo com a La Voz de Galicia, que teve acesso aos vídeos dos testemunhos prestados pelos jovens em tribunal perante a juíza, Diego, Alejandro e Catherine recusaram responder às perguntas do Ministério Público, dando apenas resposta às perguntas feitas pelos seus advogados. Apenas Kaio Amaral respondeu a todas as perguntas que lhe foram feitas.

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Diego Marzoa, que segundo a investigação terá sido o primeiro a atacar Samuel, afirmou que não agrediu o jovem "nem sozinho, nem em simultâneo [com outra pessoa]. Por seu lado, Alejandro diz que logo na noite da agressão fatal se apresentou na esquadra, mas que lhe foi dito que "não estava ninguém" no local, pelo que teria que voltar no dia seguinte.

Os dois foram detidos e provas de ADN ligam-nos diretamente à morte de Samuel.

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Catherine, namorada de Diego relatou que não conhecia, não falou, não insultou, nem agrediu o jovem morto. "Estive a ver aquilo num momento inicial mas depois saí dali e não sei o que se passou", declarou.

Os relatos são contraditório ao apresentado por outro suspeito, Kaio, que explica que nunca entrou no bar onde estavam Samuel e as amigas e que foi alertado para a pancadaria pela namorada. Conta que viu "Alejandro e Diego a espancar o rapaz no passeio marítimo" e que tentou separá-los, altura em que viu Samuel a andar de costas. "Depois atacaram-no por trás". Terá sido nesse momento que dois homens de nacionalidade senegalesa tentaram salvar Samuel e "pretendiam levá-lo para a zona de Gasthof". Assinala a investigação que, nessa altura, Kaio, Alejandro, Catherine, outro amigo e Diego foram para a mesma zona, onde terminaram as agressões.

Kaio conta que viu "como o empurraram contra caixotes do lixo" e como Sameul "caiu desamparado quando foi golpeado por Alejandro". O jovem garante que Catherine esteve com o namorado durante todo o crime e que Alejandro, de forma reiterada agrediu uma e outra vez Samuel. "Tirou o casaco, deu-o à Kathy e foi-se ao rapaz outra vez", contou, explicando que Alejandro vestia uma t-shirt branca, um casaco e ténis.

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Kaio ficou com o telemóvel de Samuel e conta que lhe ofereceram 100 euros pelo aparelho. Acabou por o atirar ao lixo, porque percebeu "quer era de Samuel e assustou-se".

A declaração de Kaio foi particularmente importante no que diz respeito à roupa que Alejandro usava nessa noite: uma t-shirt branca. Isto porque uma das testemunhas ouvidas pela juíza relatou o cenário de horror que viu.

"Samuel estava no chão. A gritar de dor pelos golpes que recebia, enquanto três jovens lhe davam pontapés. Estre eles estava um homem de t-shirt branca, que empunhava uma navalha e dizia "Vou-te cravá-la no peito, e tu vais morrer. Uma jovem tentava travá-lo, em vão, pois Samuel estava já caído no chão "após ter sigo agredido com uma garrafa na cara".

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