Pianista apresentou o disco 'Piano Solo' no Atlantic Music Expo.
O funaná no piano de Carlos Matos
O pianista e compositor cabo-verdiano esteve no Atlantic Music Expo, onde apresentou o mais recente disco ‘Piano Solo’.
Nasceu em Roterdão, onde estudou até entrar no Codarts, o conservatório da cidade. Aí fez o mestrado com a especialização em música latina, afro-cuba e música brasileira. Também estudou música clássica, e há quatro anos que é professor no Codarts.
Nos Países Baixos, Carlos Matos fez parte da banda Rabelados, fundada em 1989, e entrou na formação dois anos depois. Em 1994 fez a primeira digressão a Cabo Verde, atuando na Assembleia Nacional. Com os Rabelados gravou o disco ‘Sukuru’ e ainda com o cantor da banda, Beto Dias, gravou o disco ‘Nos 2’. Trabalhou também com Paulino Vieira e Luís Morais: "Com Paulino Vieira trabalhei em 2000 ou 2001. Foi mais no sentido de mentor. De falar da sua experiência com Cesária Évora e com Bana, e tirar algumas dúvidas musicais da música de Cabo Verde. É uma grande fonte de informação e inspiração também. Com Luís Morais trabalhei em 1998 numa homenagem à música de Cabo Verde em Roterdão, com Ildo Lobo e Manuel d’Novas. Eu tinha vinte e poucos anos. Com muito respeito e orgulho trabalhei com esse veterano musical. No início não foi muito fácil, porque o estatuto era muito forte, por vezes tinha que me moderar um pouco. Foi uma grande aprendizagem em muitos aspetos. Luís Morais é meu primo, somos família. O pai dele, que era o Musa, um grande músico de São Vicente, é o irmão mais velho da minha mãe", refere Carlos Matos, para quem a música existe no seio familiar desde a infância.
Na música de Carlos Matos encontram-se vários estilos, dos ritmos tradicionais cabo-verdianos, aos ritmos da América-latina. "Sempre pesquisei a música tradicional de Cabo Verde para a levar por outro caminho. Estamos numa época de globalização, e a música é muito acessível para incorporar outros estilos. No meu caso, o Jazz, a música latino-americana e brasileira", explica o pianista, que com base neste conceito lançou o disco ‘Piano Solo’. Vem na sequência do primeiro álbum, ‘Cabo-verdianismo’, em 2006, e da formação que criou em 2009, os Cabo Cuba Jazz.
No último mês de abril, na cidade da Praia, decorreu o Atlantic Music Expo, e Carlos Matos apresentou o seu disco ‘Piano Solo’. "Toquei na Praça Luís de Camões, e fiquei muito surpreendido com a reação do público. Motivaram-me muito para continuar nesta nova fase". Para acabar o concerto o pianista tocou um funaná que contou com acompanhamento empenhado do público presente. "Foi uma surpresa total. Não tinha nenhuma expectativa, porque é um formato não muito usado em Cabo Verde. Um instrumentista a fazer tudo. Com muito calor, fiquei muito agradecido ao público que esteve no concerto".
Para Carlos Matos, a música de Cabo Verde não pode depender apenas do talento. É um elemento importante, mas o ensino e a cultura são essenciais para um país manter uma identidade. "Cabo Verde é um país de música, e música é um grande produto de exportação. Para o exportar tem que se investigar e desenvolver para competir mundialmente. Cabo Verde não é só Cesária Évora ou Paulino Vieira. É mais que isso. Como músicos também devemos partilhar o nosso conhecimento", alerta Carlos Matos.
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