Presidente da República afirmou no encontro com eurodeputados europeus que gostaria que a aliança com os EUA fosse "a 100%, permanentemente".
O Presidente da República recordou esta quarta-feira que sempre que a Europa e os Estados Unidos estiveram desalinhados "pagaram um preço enorme" e frisou que as negociações de paz na Ucrânia mostram que é possível ambos chegarem a convergências.
Em declarações aos jornalistas após um encontro com eurodeputados portugueses no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que gostaria que a aliança com os Estados Unidos fosse "a 100%, permanentemente", o que significa "procurar as convergências para além das divergências, na parte financeira, política, diplomática, estratégica".
Sem querer atribuir responsabilidades ao facto de as relações com os Estados Unidos não estarem atualmente "a 100%", o Presidente da República afirmou que a Europa "deve fazer tudo para desempenhar um papel construtivo" na relação, e disse esperar "que os aliados correspondam a essa vontade europeia".
"Vamos imaginar: há uma necessidade, como houve, de haver um encontro de posições entre a Europa e os Estados Unidos da América relativamente à Ucrânia. Foram dados passos de convergência recentes. Quer dizer que é possível", exemplificou.
Depois, numa aparente alusão às ameaças de Donald Trump sobre a Gronelândia, que não mencionou diretamente, Marcelo Rebelo de Sousa frisou que, se foi possível encontrar pontos de convergência sobre a Ucrânia, também "é possível, por maioria de razão, noutras situações".
"Noutras situações que podem ser bombos de discórdia, porque dizem respeito ou a Estados europeus, ou à vida interna da Europa, ou ao relacionamento económico e financeiro. Se é possível num caso, porque é que não é possível no outro?", perguntou.
Marcelo Rebelo de Sousa salientou que essas convergências são "do interesse das duas partes".
O Presidente da República frisou que a Europa "tem todo o interesse em que, nessa aliança/parceria com os Estados Unidos da América, se procurem formas de colaborar com os Estados Unidos para eles que se sintam mais seguros como Estado na relação com outras potências mais significativas".
"Mas também os Estados Unidos da América só têm a ganhar com o facto de criar um relacionamento com a Europa que signifique uma procura em conjunto, conjugada, da melhor maneira de atuar no domínio da Defesa, da segurança, da economia, das finanças, da geopolítica", disse.
Marcelo salientou que "foi sempre assim", com exceção do período entre as duas guerras mundiais.
"Se foi sempre assim, porque é que há de acabar de ser assim?", questionou, antes de recordar que nessa vez em que a Europa e os Estados Unidos estiveram desalinhados, "cada um deles pagou um preço enorme".
"Os Estados Unidos da América pagaram um preço enormíssimo: o Plano Marshall e outros apoios fundamentais para ajudar a pôr a Europa de pé. A Europa pagou um preço enorme foi não ouvir uma parte daquele que podia ter ouvido e feito, uma parte da Europa contra outra parte da Europa em relação a democracia, à liberdade e ao Estado de Direito", referiu.
Marcelo Rebelo de Sousa sugeriu ainda que as alianças vão para lá das personalidades que as compõem, afirmando não conhecer "nenhum ser humano que seja eterno" e que "a grande vantagem das instituições é que duram para além dos seres humanos".
"As instituições não servem seres humanos senão transitoriamente e os seres humanos servem instituições que acabam, com a lição da História, por se mais duradouras", disse.
O Presidente da República frisou ainda que a Europa representa um "conjunto de valores universais", como o Estado de Direito, e, "no mundo que já não vamos dizer multilateral, mas multipolar, em que há vários polos, é evidente que o polo Europa tem aspetos que são inegáveis".
"É um grande mercado, uma das maiores potências comerciais. O natural é que estas realidades sejam reconhecidas. E o bom, mais do que natural, é tirar proveito delas", disse, frisando que isso significa ter "relacionamento bons entre a Europa e os parceiros tradicionais, que são vários", dando o exemplo do Reino Unido.
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