Agência Internacional de Energia afirma que prevê um crescimento moderado da procura de petróleo e um grande excedente de oferta para 2026.
O abundante fornecimento mundial de petróleo está a atenuar as preocupações com os riscos geopolíticos para a produção e as exportações de petróleo na Venezuela, Irão e Rússia, disse esta quarta-feira a Agência Internacional de Energia (AIE).
"Embora seja muito cedo para avaliar todas as implicações para os mercados de petróleo destes últimos acontecimentos geopolíticos, por enquanto as reservas elevadas proporcionam alguma tranquilidade aos participantes do mercado e mantiveram os preços sob controlo", disse a AIE no seu primeiro Relatório do Mercado de Petróleo do ano.
A Agência, com sede em Paris, afirmou que ainda prevê um crescimento moderado da procura de petróleo e um grande excedente de oferta para 2026.
A AIE aumentou a sua previsão de crescimento da procura de petróleo para 2026 em 70.000 barris por dia, para 930.000 barris por dia, impulsionada por maiores expectativas na Ásia-Pacífico e em África.
Esta previsão de crescimento situaria a procura geral em 104,98 milhões de barris diários, observou.
O aumento da procura global de petróleo bruto "reflete uma normalização das condições económicas depois da crise tarifária do ano passado e preços do petróleo mais baixos do que há um ano", indicou a AIE.
Quanto à oferta global de petróleo, a agência projeta que aumentará em 2,5 milhões de barris diários este ano, atingindo 108,7 milhões de barris diários depois de uma subida de três milhões de barris diários em 2025.
Os países não pertencentes à OPEP+ representam 1,8 milhões de barris diários desse aumento em 2025 e 1,3 milhões de barris diários em 2026, observou a AIE no seu relatório mensal sobre o mercado de petróleo.
A AIE explica que a recuperação da procura de matérias-primas petroquímicas será parcialmente compensada por uma desaceleração contínua do aumento dos preços da gasolina.
E os países não pertencentes à OCDE voltarão a representar a totalidade do crescimento em 2026.
A oferta global de petróleo caiu 350 mil barris diários (kb/d, na sigla em inglês) em relação ao mês anterior, para 107,4 mil barris diários em dezembro, menos 1,6 milhões de barris abaixo do pico histórico de setembro, precisou a AIE.
A Agência Internacional de Energia explicou que a menor produção do Cazaquistão e de vários produtores da OPEP do Médio Oriente foi parcialmente compensada por uma forte recuperação da produção russa.
Quanto às reservas mundiais, a AIE observou que aumentaram 75,3 milhões de barris em novembro de 2025, com o petróleo bruto a representar 96% do acréscimo, principalmente em terra.
As reservas da indústria da OCDE aumentaram 7,3 milhões de barris, para 2.838 milhões de barris, "em linha com o nível médio dos últimos cinco anos".
Por fim, os preços do petróleo bruto de referência subiram aproximadamente seis dólares por barril diário no início do ano devido aos acontecimentos geopolíticos no Irão e na Venezuela, mas moderaram-se em meados do mês com a diminuição das tensões.
O petróleo bruto do Mar do Norte caiu 0,99 dólares por barril diário em dezembro, atingindo uma média de 62,64 dólares por barril, à medida que os mercados permaneceram bem abastecidos.
Esta foi a sexta queda mensal consecutiva do preço de referência, com os preços a atingir um mínimo de 60,07 dólares por barril, o nível mais baixo desde o início de 2021, observou a AIE.
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