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Agência da ONU referiu que deixou de ter acesso a algumas instalações importantes no Irão desde que Israel, apoiado pelos Estados Unidos, lançou em junho de 2025 uma série de ataques a vários locais nucleares.
A Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA) deixou de ter acesso às instalações nucleares no Irão afetadas pela guerra há um ano, manifestou "preocupação em matéria de proliferação" e apelou à cooperação construtiva das autoridades iranianas.
Num relatório confidencial distribuído aos Estados-membros e consultado esta quinta-feira por agências de notícias internacionais, a AIEA informou que "não pode fornecer qualquer informação sobre a dimensão atual, composição ou localização das reservas de urânio enriquecido no Irão, nem sobre se o Irão suspendeu todas as atividades relacionadas com o enriquecimento".
A agência da ONU referiu que deixou de ter acesso a algumas instalações importantes no Irão desde que Israel, apoiado pelos Estados Unidos, lançou em junho de 2025 uma série de ataques durante 12 dias, em que vários locais nucleares foram atingidos.
A única instalação nuclear iraniana inspecionada pelos inspetores da AIEA desde o último relatório, em fevereiro, foi a central nuclear de Bushehr, visitada entre 1 e 3 de junho.
O reator atualmente em funcionamento em Bushehr utiliza urânio proveniente da Rússia enriquecido a 4,5%, um nível baixo necessário para a produção de energia neste tipo de centrais.
"Embora a agência reconheça que os ataques militares contra instalações e locais nucleares iranianos criaram uma situação sem precedentes, é crucial que possa realizar sem demora as suas atividades", refere-se o relatório.
No documento, a AIEA referiu que a falta de acesso, durante quase um ano, para verificar o urânio anteriormente declarado representa um atraso significativo face às práticas habituais e é motivo de preocupação em matéria de proliferação.
O diretor-geral, Rafael Grossi, citado no relatório, apelou ao Irão para "cooperar de forma construtiva a fim de facilitar a implementação plena e eficaz das salvaguardas".
O documento deverá ser analisado na reunião do Conselho de Governadores da AIEA, na próxima semana, em Viena, na Áustria, sede da Agência.
Antes dos ataques norte-americanos de junho de 2025, a AIEA calculava que o Irão possuía cerca de 440 quilogramas de urânio enriquecido a 60%, um nível próximo dos 90% necessários para fabricar uma bomba nuclear.
Recentemente, Rafael Grossi alertou, numa entrevista à AP, que esse 'stock' permitiria ao Irão fabricar até 10 bombas nucleares, caso as autoridades iranianas decidissem militarizar o programa.
De acordo com as orientações da agência da ONU, material nuclear tão enriquecido deveria ser verificado mensalmente.
A 3 de março, a AIEA observou, através de imagens de satélite comerciais, que a entrada da central de enriquecimento de Natanz tinha sofrido danos.
O Irão informou a AIEA de ataques às instalações de Natanz nos dias 12 e 21 de março, e à central de Bushehr nos dias 04, 17 e 24 de março, bem como a 27 de abril.
Através de imagens de satélite, a agência observou danos numa estrutura localizada a cerca de 350 metros do reator dessa central.
Em 29 de março, imagens de satélite revelaram "danos severos" na fábrica de produção de água pesada de Khondab, atacada a 27 de março.
Israel e os Estados Unidos acusam o Irão de querer adquirir armas nucleares, com o presidente norte-americano, Donald Trump, a invocar essa ameaça para justificar tanto o conflito de 12 dias em 2025, como a guerra em curso desencadeada pelos ataques norte-americanos e israelitas de 28 de fevereiro.
Teerão tem negado repetidamente qualquer ambição militar, reivindicando o direito à tecnologia nuclear para fins civis.
O relatório refere ainda que o diretor-geral da AIEA reiterou o seu "total apoio às negociações em curso destinadas a encontrar uma solução mutuamente aceitável para as questões relacionadas com o programa nuclear iraniano", bem como a sua disponibilidade para "apoiar um eventual acordo".
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