Procuradores argumentaram que anos de negligência na manutenção levaram ao colapso. Morreram 43 pessoas.
O ex-administrador da empresa Autoestradas de Itália foi esta quinta-feira condenado a 12 anos de prisão, considerado culpado de negligência e de homicídio involuntário, na sequência do colapso de uma ponte em Génova em 2018, que provocou 43 mortos.
Além deste antigo dirigente da empresa responsável pela gestão da ponte, Giovanni Castellucci -- que já se encontra em prisão a cumprir uma pena por um outro acidente, ocorrido em 2013, num viaduto no sul de Itália --, o tribunal de Génova (norte) condenou, a penas menores, muitos dos 57 arguidos deste mega-processo judicial, iniciado há quatro anos e que incluiu 283 audiências, com a sentença a ser esta quinta-feira proferida, quase oito anos depois da tragédia.
Entre os arguidos contavam-se antigos executivos da operadora Autoestradas de Itália (Autostrade per L'Italia), especialistas da sua empresa de engenharia SPEA e ex-funcionários do Ministério das Infraestruturas e Transportes italiano, na sua maioria acusados de homicídio por negligência, decorrentes de alegadas falhas na manutenção da ponte Morandi, que fazia parte de uma importante rota que ligava o norte de Itália à Riviera Francesa.
Os procuradores argumentaram que anos de negligência na manutenção levaram ao colapso e exigiram penas combinadas que totalizam quase 400 anos para todos os arguidos.
Entre outros arguidos esta quinta-feira condenados, contam-se outros dois antigos altos responsáveis da Autoestradas de Itália, Michele Donferri Mitelli e Paolo Berti, condenados respetivamente a 11 anos e a cinco anos e seis meses de prisão, enquanto o antigo presidente do Conselho de Administração da SPEA, Antonino Galatà, foi condenado a cinco anos e seis meses de prisão, e Mauro Coletta, antigo diretor de supervisão das concessões rodoviárias do Ministério dos Transportes, foi condenado a cinco anos de prisão.
A 14 de agosto de 2018, às 11:36 locais, sob chuva torrencial, a enorme ponte na autoestrada que liga Itália a França colapsou, lançando dezenas de veículos para o vazio.
A acusação pediu uma pena total de mais de 400 anos de prisão para os 57 arguidos, acusados de homicídio negligente, de colocar em risco a segurança dos transportes e de falsificação de documentos oficiais.
"Com esta tragédia, a nossa confiança no Estado vacilou", disse o presidente do comité das vítimas, Egle Possetti, ao entrar no tribunal para conhecer o veredicto.
Uma nova ponte projetada pelo arquiteto italiano Renzo Piano, nascido em Génova, foi inaugurada em 2020, atravessando um memorial às vítimas do colapso da Ponte Morandi.
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