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Apoiantes de Bolsonaro disparam fogo de artifício contra o Supremo Tribunal no Brasil

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram momento do ataque.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 14 de Junho de 2020 às 16:58
Apoiantes de Bolsonaro disparam fogos de artifício contra o Supremo Tribunal no Brasil
Apoiantes de Bolsonaro disparam fogos de artifício contra o Supremo Tribunal no Brasil FOTO: Direitos Reservados

Manifestantes ligados ao grupo extremista de apoiantes do presidente Jair Bolsonaro que se auto-denomina "300 do Brasil" dispararam no final da noite deste sábado, horário local, já madrugada em Lisboa, fogos de artifício contra a sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. O próprio grupo, que horas antes fora despejado pela polícia do acampamento que montara em Maio na Esplanada dos Ministérios, onde se concentram os principais órgãos do poder executivo, divulgou imagens do ataque em redes sociais.

No vídeo divulgado pelo grupo de ultra direita, um homem faz ameaças contra os juízes do mais alto tribunal brasileiro, citando nominalmente alguns dos magistrados, nomeadamente Dias Toffoli, presidente do STF, e Alexandre de Moraes. Moraes conduz investigações que podem atingir Bolsonaro, aliados e os próprios filhos do governante.




O grupo, com aproximadamente 30 pessoas, reuniu-se inicialmente de forma pacífica na Praça dos Três Poderes, onde se localizam o palácio presidencial, o Congresso e o Supremo Tribunal, e fez uma oração. Depois, simulando o bombardeio da sede da justiça, membros do movimento dispararam diversos foguetes de fogos de artifício diretamente contra o STF, e os artefactos, apesar de não terem provocado danos por os agressores não terem podido aproximar-se mais, caíram muito perto do edifício.

Dias atrás, o mesmo grupo já tinha realizado uma outra manifestação hostil ao Supremo Tribunal, promovendo uma marcha em que os manifestantes usavam túnicas e capuzes semelhantes ao grupo supremacista branco norte-americano Ku Klux Klan e empunhavam tochas simulando irem incendiar o tribunal. Na ocasião foi feito um ato político no qual oradores acusaram o STF de fazer parte de uma suposta conspiração para derrubar Jair Bolsonaro, impedindo-o de governar ao limitar e até anular decretos que os juízes consideraram abusivos à Constituição.

Este domingo, dia em que tradicionalmente ocorrem desde Março em Brasília atos a favor de Bolsonaro e pedindo uma intervenção militar que feche o Congresso e o Supremo e mantenha o presidente no cargo indefinidamente com poderes absolutos, os manifestantes encontraram fechada a Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes, onde costumam manifestar-se. Depois do ataque da noite anterior com fogos de artifício, o governador de Brasília, Ibaneis Rocha, apesar de ser aliado de Jair Bolsonaro, proibiu manifestações nessas duas áreas e os apoiantes do presidente, num gesto simbólico, concentraram-se junto ao quartel-general do Exército.
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