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Assessor da França Insubmissa entre os detidos pela morte de ativista de extrema-direita

Crime tem feito subir o tom da discussão política em França, com acusações por parte da extrema-direita e ameaças à sede da França Insubmissa.

18 de fevereiro de 2026 às 14:39

Um assessor parlamentar da França Insubmissa, o partido de esquerda A França Insubmissa (LFI) está entre os onze detidos em ligação à morte de um ativista de extrema-direita no último fim-de-semana. Quentin Deranque, de 23 anos, participava num protesto no campus universitário onde estudava quando, de acordo com o procurador de Lyon, foi "atirado ao chão e espancado por pelo menos seis indivíduos", acabando por não resistir às lesões cerebrais que sofreu.

O incidente tem feito subir o tom das divisões política em França, que está a apenas um ano de ir a eleições presidenciais, nas quais o Reagrupamento Nacional de Marine Le Pen é considerado o favorito à vitória (ainda que a ex-líder do partido esteja à espera que o tribunal se pronuncie sobre se pode, ou não concorrer, após recurso à decisão de primeira instância que a proibiu de exercer cargos públicos por desvio de fundos).

O incidente fatal teve lugar na Universidade de Lyon, à margem de um protesto de um grupo ultranacionalista de extrema-direta contra um discurso de Rima Hassan, eurodeputada eleita pela LFI, que foram confrontados por elementos antifascistas de extrema-esquerda. 

Deranque, a vítima mortal, estaria no local a "proteger" os membros da Nemésis, uma organização nacionalista e anti-imigração, afirmou o próprio coletivo, de acordo com o jornal britânico The Guardian

Vários suspeitos foram detidos. Entre estes, soube-se esta quarta-feira, está um assessor do parlamentar da LFI, Raphaël Arnault. Foi o próprio quem confirmou a informação, acrescentando que este já "cessou toda a atividade" no parlamento francês.

Vídeos dos confrontos do fim-de-semana têm circulado nos últimos dias, acicatando os ânimos políticos no país. O líder da França Insubmissa, Jean-Luc Melenchon, veio apelar à calma, com o partido a demarcar-se da violência. Apesar disso, a Némésis veio entretanto acusar um grupo de jovens antifascistas com ligações a Raphaël Arnault de estar por trás do crime (algo que o próprio já negou), e a sede da LFI teve de ser evacuada esta quarta-feira após um alerta de bomba ter chegado às autoridades. 

Na última sessão parlamentar, o os deputados respeitaram um minuto de silêncio pela morte de Deranque. Já o presidente francês, Emmanuel Macron, frisou que os responsáveis serão trazidos à justiça, e apelou à "calma, contenção e respeito" da sociedade francesa.

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