Decisão surge depois do Presidente norte-americano ter exigido a ajuda dos aliados para garantir a segurança da via estratégica.
Austrália e Japão fizeram esta segunda-feira saber que não enviarão navios de guerra para o Estreito de Ormuz, depois do Presidente norte-americano ter exigido a ajuda dos aliados para garantir a segurança da via estratégica.
"Não enviaremos nenhum navio para o Estreito de Ormuz. Sabemos o quanto isso é extremamente importante, mas não é algo que nos tenha sido pedido nem para o qual estejamos a contribuir", declarou a ministra australiana dos Transportes, Catherine King, em declarações à emissora nacional ABC.
Também o Japão indicou esta segunda-feira que "não prevê" uma operação de segurança marítima no estreito de Ormuz. "Na situação atual no Irão, não tencionamos ordenar uma operação de segurança marítima", declarou perante o Parlamento o ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi.
O Irão advertiu contra qualquer envolvimento de outros países nesta guerra que está a incendiar o Médio Oriente e a fazer disparar os preços do petróleo.
A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, considerou esta segunda-feira que qualquer operação de segurança marítima seria "extremamente difícil do ponto de vista jurídico".
O envio das Forças de Autodefesa japonesas para o estrangeiro é politicamente sensível num Japão oficialmente pacifista e onde muitos eleitores continuam ligados à Constituição de 1947, imposta pelos Estados Unidos, que implica a renúncia à guerra.
Takayuki Kobayashi, responsável pela estratégia política do Partido Liberal Democrático (PLD) de Takaichi, declarou no domingo que a fasquia era "extremamente elevada" para que Tóquio enviasse navios de guerra para o Golfo Pérsico.
Quarta economia mundial, o Japão é o quinto maior importador de petróleo. Cerca de 95% do seu abastecimento provém do Médio Oriente e 70% transita pelo estreito de Ormuz, praticamente fechado desde o início da guerra.
Donald Trump disse no domingo que pediu a vários países -incluindo aos aliados na NATO - que ajudassem, enviando navios de guerra para o Estreito de Ormuz para manter "aberta e segura" a via navegável estratégica por onde passa diariamente 20% do petróleo mundial, depois de o novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, ter anunciado que a passagem permanecerá encerrada.
"É apropriado que aqueles que beneficiam do estreito ajudem a garantir que nada de mal acontece ali", disse Donald Trump numa entrevista ao Financial Times, referindo que a Europa e a China dependem do petróleo do Golfo.
"Se não houver resposta, ou se a resposta for negativa, penso que será muito mau para o futuro da NATO", acrescentou.
"Espero que a China, a França, o Japão, a Coreia do Sul, o Reino Unido e outros afetados por esta restrição artificial enviem navios para a região, para que o Estreito de Ormuz deixe de ser uma ameaça de uma nação completamente sem liderança", escreveu também na plataforma Truth Social.
"Penso que a China também deveria ajudar, porque obtém 90% do seu petróleo do estreito", disse, sugerindo que essa ajuda chegasse antes da sua visita a Pequim, mas dando igualmente a entender que esta primeira viagem oficial ao maior rival estratégico dos Estados Unidos no seu segundo mandato, prevista para o final deste mês, poderá ser adiada e que o encontro com o Presidente chinês, Xi Jinping, terá de esperar.
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