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Bercow trava votação do acordo do Brexit

Presidente do Parlamento diz que acordo já foi debatido no sábado e que seria “repetitivo” voltar a fazê-lo.

22 de outubro de 2019 às 08:03

O presidente do Parlamento britânico, John Bercow, voltou esta segunda-feira a sabotar os planos do primeiro-ministro Boris Johnson ao recusar voltar a debater e votar o acordo do Brexit depois de a discussão do mesmo ter sido adiada pelos deputados no sábado.

Bercow, que tem sido muitas vezes criticado por alinhar com os deputados que defendem a permanência do Reino Unido na UE, justificou a decisão afirmando que "a substância e as circunstâncias da moção apresentada pelo governo são, no essencial, as mesmas daquela que foi apresentada no sábado", a qual os deputados optaram por suspender até depois de ser aprovada a legislação destinada a ratificar o acordo. "A moção não será debatida porque isso seria repetitivo", afirmou Bercow, causando a fúria dos conservadores.

Na verdade, o acordo do Brexit não chegou a ser votado no sábado, porque um grupo de deputados propôs suspender a votação até a necessária legislação ser aprovada. Essa proposta foi aprovada por 322 votos contra 306, numa séria derrota para Boris Johnson, que foi de seguida forçado a pedir um novo adiamento do Brexit a Bruxelas, embora tenha enviado uma segunda carta a explicar que só o fez porque a lei assim o obrigava e que se trata de um erro.

Com as mãos atadas pelo Parlamento no que diz respeito à aprovação imediata do acordo, o governo vai avançar já esta terça-feira com um processo expresso de discussão da legislação necessária para a ratificação do mesmo, que espera concluir até quinta-feira.

Durante este processo, o acordo fica sujeito a possíveis alterações da oposição, que já anunciou que vai tentar forçar a introdução de uma emenda com vista a manter a totalidade do Reino Unido na união aduaneira e outra que visa forçar o governo a submeter o acordo a um referendo em que uma das opções será permanecer na UE.

PORMENORES

Ataque de Corbyn

O líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, lançou esta segunda-feira um forte ataque contra o primeiro-ministro Boris Johnson, acusando-o de "falsidades e tentativas de distração" por ter prometido repetidamente que não pediria um novo adiamento do Brexit quando sabia que seria forçado a fazê-lo, como acabou por acontecer.

Tribunal adia decisão

O tribunal escocês que vai decidir se Johnson violou a ‘Lei Benn’ ao enviar uma segunda carta a Bruxelas a dizer que não queria um adiamento pediu mais tempo para analisar o caso.

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