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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Bispo critica aborto de menina de 10 anos violada pelo tio no Brasil

Presidente da Conferência de Bispos do Brasil juntou-se aos grupos conservadores e de extrema-direita que atacaram a criança.

19 de agosto de 2020 às 01:30

O presidente Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, D. Walmor Oliveira, considerou esta terça-feira "um crime hediondo e inexplicável" o aborto feito por uma menina de 10 anos que engravidou do tio após anos de violações, no estado de Espírito Santo.

O arcebispo, da ala conservadora, juntou a sua voz à de grupos de extrema-direita ligados a Jair Bolsonaro que também se manifestaram contra a interrupção da gravidez.

Comandados à distância pela extremista Sara Winter, líder de um grupo radical de apoio ao presidente, manifestantes chegaram na segunda-feira a tentar invadir o hospital onde a menina estava para impedirem o aborto, que foi devidamente autorizado por um juiz da cidade de São Mateus, no Espírito Santo, onde a menor vivia e foi violada desde os seis anos pelo tio, que foi detido esta terça-feira no estado de Minas Gerais.

O caso foi descoberto no dia 8, quando a menina foi levada ao hospital com fortes dores abdominais, tendo denunciado as violações após os médicos constatarem a gravidez.

A forte repercussão do caso e a mobilização de grupos evangélicos e de extrema-direita levaram vários hospitais a recusarem fazer o aborto autorizado pelo juiz, que determinou então a ida da menor para Recife, no estado de Pernambuco.

No entanto, Winter descobriu e divulgou a identidade da menina e o hospital onde ela estava, provocando um enorme tumulto, só controlado com a ação da polícia.

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