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Brasil articula com Colômbia e México telefonema coletivo dos seus presidentes para falarem com Nicolás Maduro

Presidentes tentam encontrar uma solução negociada e pacífica para a crise política.

07 de agosto de 2024 às 16:40

A diplomacia brasileira está a articular com os governos de outros dois países da América Latina, Colômbia e México, um telefonema comum entre os respetivos presidentes com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, para tentar uma solução negociada e pacífica para a gravíssima crise política e social que resultou das tumultuadas eleições presidenciais venezuelanas do passado dia 28 de Julho. Tanto Maduro, candidato à reeleição, quanto o candidato oposicionista, o ex-diplomata Edmundo González Urrutia, declararam vitória, e protestos populares contra uma alegada fraude eleitoral para manter o atual governo já resultaram em 24 pessoas mortas e 2200 detidas.

Foi o próprio Maduro, cuja suposta reeleição é contestada internacionalmente, quem pediu no final da semana passada para falar ao telefone com o presidente brasileiro, Lula da Silva, sobre a crise. Mas Lula, aliado e amigo de Maduro mas fortemente pressionado pelas desconfianças da maioria dos governos da região em relação às presidenciais venezuelanas, preferiu alargar a conversa a outros dois países moderados que, tal como o Brasil, não endossaram as denúncias da oposição venezuelana de que as eleições foram fraudadas para manter o ditador no poder por um terceiro mandato, mas também não reconheceram a reeleição apregoada por ele.

Os três países têm pressionado, até agora em vão, para que o CNE, Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela, controlado por Maduro, divulgue as atas das secções eleitorais em que o órgão se fundamentou para confirmar a reeleição do presidente. Até agora essas atas não apareceram, o que tem levantado suspeitas de que não possam ser divulgadas por revelarem a derrota de Maduro, ou que o governo do ditador venezuelano, supostamente apanhado de surpresa pela vitória do candidato da oposição, esteja a tentar ganhar tempo para fabricar atas favoráveis ao atual presidente.

Esta quarta-feira, fontes da oposição denunciaram a detenção da chefe de campanha da principal líder oposicionista, Maria Corina Machado, impedida pelo CNE de disputar as presidenciais e que, por isso, lançou o aliado Edmundo González. González, por seu turno, que segunda-feira se autoproclamou presidente eleito da Venezuela e pediu às Forças Armadas para o apoiarem, o que os militares recusaram imediatamente, afirmou também esta quarta-feira que não comparecerá ao Supremo Tribunal do país, que já o convocou duas vezes sem avançar uma razão objectiva. 

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