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"A CPI é aos mandatos de Luís Neves": André Ventura em entrevista sobre a polémica com o MAI

Presidente do Chega lembra afastamento de Luís Neves por parte do MP no caso da Operação Influencer.

27 de julho de 2026 às 20:33

O presidente do Chega, André Ventura, está esta segunda-feira na CMTV, numa entrevista sobre a polémica em torno do ministro da Administração Interna, Luís Neves.

Quando questionado sobre o caso de Luís Neves, André Ventura começa por referir que a "PJ é uma instituição respeitadíssima". "Se estivesse tudo certo, a PJ não tinha ido buscar o atrelado", afirma. 

 "Quando foi a operação Influencer, o MP afastou Luís Neves", recorda.

André Ventura refere que o PS "nunca embarcaria numa comissão de inquérito" e afirma que José Luís Carneiro fugiu várias vezes de questões relacionadas com Luís Neves. "Eu nunca vi, desde o caso Casa Pia, o PS com tanto medo de falar", diz.

"Vamos estar à espera que haja julgamentos para uma coisa que está à vista de todos?", questiona. André Ventura diz que, na possibilidade de chegar a primeiro-ministro, nunca irá passar "ninguém do topo de uma investigação criminal a um cargo político". 

"Queremos esclarecimentos ou eleições?", diz André Ventura para justificar sobre uma possível moção de censura o Governo. "O País não pode ir a eleições de seis em seis meses".

Esclarece que não há uma lista fechada de quem será chamado à Comissão de Inquérito mas dá nomes como: Luís Neves, Luís Montenegro, António Costa, diretores da PJ e todos os que estão envolvidos no caso.

André Ventura defende que se este caso fosse tratado por Passos Coelho que Luís Neves seria chamado a esclarecer o que aconteceu, o que não aconteceu com Montenegro. 

"Não podemos ter medos de poderes ocultos", diz André Ventura referindo que Luís Neves é um dos poderes ocultos, que sobreviveu no PS e no PSD, e a quem não foram pedidos esclarecimentos.

"A CPI é aos mandatos de Luís Neves. A PJ deve estar acima disso. Luís Neves conseguiu atirar a instituição (PJ) para este limbo. Isto é culpa de um ministro que está tão agarrado ao poder e a outros submissos ao seu poder", afirmou.

"É muito grave que isto tenha acontecido", refere André Ventura sobre o "caso de incompetência" que levou aos caos nos exames nacionais. Ventura considera que houve "falta de empatia" do Governo para com as famílias.

Sobre o caos na educação, André Ventura refere que houve falta de empatia por parte do Governo para com as famílias. "É muito grave que isto tenha acontecido", refere o presidente do Chega sobre o "caso de incompetência" que levou aos caos nos exames nacionais. 

Audição inviabilizada pelo presidente da AR

A audição de Luís Neves na Comissão Permanente da Assembleia da República, solicitada pelo partido, foi inviabilizada pelo presidente da Assembleia da República, Aguiar Branco, esta segunda-feira.

A Iniciativa Liberal, recorde-se, foi o primeiro partido a pedir para ouvir o ministro "o mais depressa possível" na Comissão Permanente. Os partidos pediam para que Neves fosse ouvido esta quarta-feira. O PSD e o CDS votaram contra, não permitindo que houvesse consenso. O PS, BE e o Livre não se opuseram à realização da reunião, como já tinha avançado esta segunda-feira o Correio da Manhã. 

O presidente do Chega recusou, na última sexta-feira, a ideia de que a constituição da Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária (PJ) pretenda prejudicar a instituição, alegando que a história do partido "diz o contrário".

A polémica teve início no dia 10 de julho, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que o ministro da Administração Interna contratou para remodelar um imóvel que detém em Odemira uma empresa anteriormente responsável por obras na Polícia Judiciária quando Luís Neves era diretor nacional.

Sobre a polémica que envolve Luís Neves, a 17 de julho, a PJ anunciou que abriu um inquérito sobre um atrelado apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos, que fez obras naquela propriedade.

No mesmo dia, a Procuradoria-geral da República (PGR) confirmou "a existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos à ordem do processo designado 'Operação Pacoba'".

Luís Neves, no passado sábado, à margem de uma visita para assinalar os 140 anos dos Bombeiros Voluntários de Lagos, prometeu falar "quanto antes" com a comunicação social sobre as polémicas que o envolvem, mas sem se comprometer com uma data, dizendo estar "absolutamente tranquilo".

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