Porta-voz para a soberania tecnológica disse que executivo detetou que ferramenta de inteligência artificial gerou "conteúdo antissemita" e "imagens sexuais de crianças".
A Comissão Europeia instou esta quinta-feira a rede social X a preservar até ao final do ano todos os documentos internos relativos à ferramenta de inteligência artificial Grok, após ter detetado "conteúdo antissemita e imagens sexuais de menores".
Na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia, o porta-voz para a soberania tecnológica, Thomas Regnier, disse que o executivo comunitário detetou que a ferramenta de inteligência artificial Grok gerou "conteúdo antissemita e, mais recentemente, imagens sexuais de crianças".
"Isto é ilegal, inaceitável e atenta contra os valores europeus e os nossos direitos fundamentais. Levamos isto muito a sério e é por isso que posso confirmar que a Comissão obrigou o X a reter, até ao final de 2026, todos os seus documentos internos e dados relativos ao Grok", anunciou.
O porta-voz recordou que, no ano passado, a Comissão Europeia já tinha pedido à rede social X (antigo Twitter) para fornecer documentos internos sobre o funcionamento dos seus algoritmos e sistemas de recomendação, e salientou que o pedido esta quinta-feira anunciado é apenas "uma extensão" dessas medidas.
"Na Europa, todas as plataformas digitais têm de arrumar a sua própria casa, porque o que estão a gerar é inaceitável e o cumprimento da legislação europeia não é uma opção, é uma obrigação", defendeu.
Thomas Regnier explicou que este pedido é feito ao abrigo lei europeia dos serviços digitais (DSA, na sigla em inglês), que estabelece um conjunto de regras para as redes sociais, e não se traduz na "abertura de uma investigação formal" à rede social detida por Elon Musk.
"Trata-se de dizer à plataforma: 'preservem os vossos documentos internos, não se vejam livres deles, porque temos dúvidas sobre o cumprimento [da legislação europeia] e precisamos de ter acesso a esses documentos se os pedirmos explicitamente", explicou.
Questionado se, perante este conteúdo, a Comissão Europeia admite proibir a utilização do Grok no espaço europeu, o porta-voz respondeu que isso seria uma "opção de último recurso", mas não é a "opção privilegiada" pelo executivo.
"Não estamos aqui para suspender plataformas ou para dizer aos cidadãos qual é a melhor ou a mais segura. O nosso objetivo é forçar todas as plataformas a arrumarem a sua própria casa", disse.
Sobre se a Comissão Europeia admite fechar as suas próprias contas no X, Thomas Regnier reconheceu que o executivo continua ativo na rede social, mas observou que está a diversificar a sua presença por outras 14 redes sociais.
A porta-voz da Comissão Europeia Arianna Podestá acrescentou que o executivo tem procurado perceber em que rede social é que o seu público alvo "está mais ativo", salientando que é importante para o executivo conseguir "transmitir a sua mensagem".
"Se o nosso público está no X, assim como noutras plataformas, vamos interagir com eles lá", referiu.
Este anúncio surge depois de, no início de dezembro, a Comissão Europeia ter multado a rede social X em 120 milhões de euros por violar a lei comunitária com uma enganosa marca de verificação, falta de transparência na publicidade e dificuldade no acesso de dados aos investigadores.
Em causa está uma investigação iniciada em dezembro de 2023 para determinar se o X violou a lei dos serviços digitais da UE, que, apesar de continuar, leva já Bruxelas a concluir sobre infrações como a enganadora marca de verificação azul (dado que todos podem subscrevê-la mediante pagamento), o repositório inadequado para o seu objetivo de transparência para com os utilizadores e a limitação aos investigadores de acederem de forma independente aos seus dados públicos.
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