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Camarões identificam cerca de 200 empresas ilegais de extração de ouro

Um grande número destas empresas é gerido por cidadãos chineses.

13 de maio de 2026 às 19:46

Cerca de 200 empresas ilegais de extração artesanal de ouro, na sua maioria estrangeiras, foram identificadas nos Camarões, anunciou esta quarta-feira o Ministério das Minas dos Camarões, na conclusão de uma investigação iniciada no princípio do ano.

"Foram identificadas cerca de 200 empresas ilegais nas regiões do Leste e de Amadoua, das quais mais de 95% são empresas estrangeiras", informou o ministério num comunicado citado pela agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP).

Uma investigação sobre o setor aurífero tinha sido encomendada pela Presidência dos Camarões no início de janeiro, na sequência de uma polémica em torno da significativa discrepância constatada entre as exportações de ouro declaradas pelas alfândegas camaronesas e as importações declaradas pelos países importadores, nomeadamente os Emirados Árabes Unidos (EAU).

De acordo com a lista disponível no site do ministério, um grande número destas empresas é gerido por cidadãos chineses.

No seu comunicado, o ministério apela a estas empresas para que "cessem imediatamente a exploração das minas", mas não menciona quaisquer sanções ou ações judiciais.

No seu relatório de 2023, publicado em dezembro, a organização EITI (Iniciativa para a Transparência nas Indústrias Extrativas) revelou que, de acordo com os números oficiais, 953 quilogramas (kg) de ouro tinham sido produzidos nos Camarões em 2023 e apenas 22,3 kg tinham sido exportados.

No entanto, o total das importações declaradas pelos países compradores atingiu 15,2 toneladas de ouro, ou seja, quase 680 vezes mais.

"Isto sugere que grande parte do ouro extraído, nomeadamente das minas artesanais, contorna os circuitos oficiais em benefício de redes informais ou do contrabando", disse a investigadora do Observatório sobre o Crime Organizado e a Violência na África Central Aïcha Pemboura, num artigo publicado em março citado pela AFP.

Os Camarões, país da África Central que aposta na exploração dos seus recursos mineiros, entre os quais estão o ferro, diamantes, ouro, bauxite e cobalto, para desenvolver a sua economia, adotou um novo código mineiro em 2023, mas "a corrupção e a influência das elites políticas e económicas dificultam a aplicação da regulamentação", apontou a investigadora no artigo.

Os Camarões ocupam o 142.º lugar entre 180 países no Índice de Perceção da Corrupção de 2025 da ONG Transparency International.

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