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Correio da Manhã

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Camionistas reduzem bloqueio de estradas no Brasil mas greve e transtornos continuam

Ainda vai demorar muitos dias para que a situação retome a normalidade.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 27 de Maio de 2018 às 17:36
Greve dos camionistas no Brasil
Greve dos camionistas no Brasil
Greve dos camionistas no Brasil
Greve dos camionistas no Brasil
Greve dos camionistas no Brasil
Greve dos camionistas no Brasil
Greve dos camionistas no Brasil
Greve dos camionistas no Brasil
Greve dos camionistas no Brasil

O Brasil continua este domingo paralisado por causa da greve dos camionistas em protesto contra o elevado preço do diesel, que chegou ao sétimo dia, e do desabastecimento de combustíveis e de alimentos, apesar da redução do número de estradas bloqueadas.

Os camionistas em greve, em vários pontos do país apoiados por outras categorias, reduziram o número de estradas interditadas totalmente e começaram a permitir o tráfego de camiões-tanque com combustíveis, mas mantiveram a paralisação e vai demorar muitos dias para a situação se normalizar.

Na manhã deste domingo, postos de combustível de 10 dos 27 estados do Brasil começaram a receber gasolina, álcool combustível e diesel, mas o fornecimento ainda era muito escasso e abrangia apenas as capitais regionais.

Em São Paulo, a maior cidade brasileira, a associação que representa os postos de gasolina estimava ao início da tarde que apenas 1% desses postos tinha recebido combustível.

Escoltados por forças do Exército e da polícia, apesar de não haver registo de violência por parte dos grevistas em nenhuma região do Brasil nestes sete dias de paralisação, a pouco e pouco camiões tentavam levar, além de combustível para veículos, querosene para abastecer aviões nos principais aeroportos e produtos essenciais a hospitais, que suspenderam cirurgias em todo o país por falta, entre outros, de garrafas de oxigénio. Mas o reabastecimento era ainda muito limitado e a maior parte das cidades brasileiras continuava parada.

Em São Paulo, os autocarros dos transportes coletivos circulavam com menos de 40% da frota, no Rio de Janeiro eram apenas 20% e em Belo Horizonte, a terceira maior cidade do Brasil, os transportes foram suspensos até amanhã, dia de trabalho, para se poupar o pouco combustível que as empresas ainda tinham.

Em centenas de outras cidades, principalmente no interior dos estados, não há uma gota de combustível nem para os veículos de emergência, como da polícia e ambulâncias, há vários dias e não se vê um carro nas ruas.

De acordo com a associação que representa os grandes supermercados, um dos sectores mais afetados pela greve dos camionistas, mesmo que o reabastecimento recomece esta segunda-feira, serão necessários pelo menos 10 dias para se voltar ao nível normal de abastecimento.

Muitos pequenos mercados continuam fechados, pois já não têm o que vender, e quem se arriscou a ir este fim de semana a um dos raros restaurantes ainda abertos teve de se contentar com o que havia, pois faltavam frutas, hortaliças, batata e até carne, entre muitos outros produtos que não puderam ser entregues pelos fornecedores.

No Rio de Janeiro, São Paulo e outras centenas de cidades por todo o país, escolas cancelaram as aulas de segunda-feira e não se sabe se as poderão retomar na terça, pois os estabelecimentos não têm alimentos para as refeições de alunos e de funcionários, as carrinhas escolares continuam sem gasolina e os professores também enfrentam problemas para chegar.

Câmaras municipais por todo o país decretaram emergência e feriado, pois mesmo com o alívio em alguns pontos, não há condições de normalidade para garantir o funcionamento da maior parte dos serviços, inclusive a recolha de lixo.

Na noite de sábado, após um acordo entre o novo governador de São Paulo, Márcio França, e líderes dos camionistas em greve, as estradas estaduais começaram a ser desbloqueadas.

Os motoristas retiraram os enormes camiões que interditavam as rodovias mas mantiveram-se nos mesmos locais, só que nas bermas ou em outros pontos em que não atrapalhassem o tráfego, à espera do cumprimento, pelo governo regional, da sua parte no acordo.

Por esse acordo, infelizmente não seguido até à tarde deste domingo pelo governo do presidente Michel Temer, que nem foi à reunião da manhã do gabinete de crise em Brasília, o estado paulista compromete-se a garantir um desconto no preço do diesel praticado nas bombas de combustível, e a reduzir o altíssimo custo das portagens quando os camiões circularem vazios, por exemplo, quando forem buscar uma carga ou regressarem à origem depois de terminado um frete.

Pelo acordo firmado quinta-feira pelo governo Temer com outras supostas lideranças de camionistas, que os motoristas não reconheceram, o desconto do diesel seria feito na venda do combustível pela Petrobrás às distribuidoras, não havendo qualquer garantia de que essa redução de preços chegasse às bombas nas estradas. Numa outra medida que também irritou os camionistas e não teve qualquer efeito prático, o presidente Temer, fortemente criticado por todos os lados pela sua atuação na greve, determinou a requisição civil de todos os camiões parados nas estradas, que por esse decreto poderão ser apreendidos e removidos do local por agentes da polícia ou militares devidamente habilitados.

  Numa demonstração do desagrado até de aliados com a actuação de Temer neste conturbado processo, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, fez críticas particularmente duras à convocação das Forças Armadas pelo presidente, o que ele considerou um exagero desnecessário pois os camionistas em nenhum momento se mostraram agressivos e desfizeram os bloqueios nas regiões onde houve acordo com as autoridades locais. Segundo Maia, um presidente que recorre o tempo inteiro aos militares para resolver crises, como já tinha feito em Fevereiro ao decretar intervenção no Rio de Janeiro, mostra, antes de tudo, ser um governante fraco.
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