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Casa Branca tentou esconder provas de telefonema polémico feito por Trump

Denúncia anónima afirma que presidente dos EUA “pediu a interferência de um país estrangeiro nas eleições”.

27 de setembro de 2019 às 08:51

A denúncia anónima que está na origem do processo de destituição de Donald Trump acusa o presidente de "usar o poder do cargo para pedir a interferência de um país estrangeiro nas eleições presidenciais de 2020" e alega que a Casa Branca, ao aperceber-se da gravidade do ato, tentou esconder as provas.

O documento, esta quinta-feira tornado público depois de a Casa Branca ter inicialmente proibido que fosse enviado ao Congresso, foi escrito por um denunciante anónimo, membro da comunidade dos serviços de informações, "seriamente preocupado" com o facto de as ações do presidente poderem constituir "um abuso ou violação da lei grave e flagrante".

Em causa estão as alegações de que, numa conversa telefónica mantida em julho, Trump terá pressionado o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy para investigar o antigo vice-presidente democrata Joe Biden e o filho, no que pode ser interpretado como um uso ilegítimo do cargo para tentar ganhar vantagem sobre um adversário político.

De acordo com a denúncia, os assessores de Trump ter-se-ão apercebido da gravidade dos atos do presidente e tentaram esconder a transcrição oficial da conversa num servidor informático de acesso restrito, reservado a questões de segurança nacional, em vez de ficar disponível no servidor habitual.

Esta não terá sido a primeira vez que transcrições de conversas de Trump com líderes estrangeiros foram ocultadas dessa forma "devido à sua sensibilidade política".

A denúncia alega ainda que o advogado pessoal de Trump, Rudolph Giuliani, foi uma peça central na pressão sobre as autoridades ucranianas e que "vários funcionários da administração" deram a entender ao presidente ucraniano que só falaria com Trump se estivesse disposto a "alinhar no jogo" e a investigar Biden.

Pormenores

Trump ataca democratas

O presidente lançou esta quinta-feira um furioso ataque contra o processo de destituição, acusando os Democratas de "tentarem destruir o Partido Republicano e tudo aquilo que ele representa". "Mantenham-se juntos (...) e lutem com toda a força. O nosso país está em jogo", escreveu Donald Trump no Twitter, mensagem que acabaria por apagar.

Maioria garantida

Os democratas já garantiram os votos necessários (218) para aprovar o processo de destituição na Câmara dos Representantes. O futuro de Trump irá jogar-se no Senado, onde os republicanos têm maioria. São necessários dois terços dos votos (67 em 100) para aprovar a destituição do presidente.

"Denunciante fez o seu dever"

O diretor dos Serviços de Informações dos EUA, Jospeh Maguire, reconheceu esta quinta-feira no Congresso que o agente que denunciou os atos de Trump "cumpriu o seu dever" e "seguiu a Lei à risca" num caso "sem precedentes".

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