Relato na primeira pessoa daquilo que os olhos e a mente não esquecem da vida na Beira após o ciclone Idai.
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As árvores de Moçambique serviram de salva-vidas para muitas pessoas durante o abalo do ciclone Idai. No entanto, muitas foram aquelas que não tiveram a mesma sorte. Mais de 590 pessoas morreram às mãos daquele que já se tornou o pior desastre natural de sempre do Hemisfério Sul.
Sílvia Bentes tem 49 anos. Farmacêutica de profissão, nasceu no Seixal, mas é pelos montes alentejanos, em Serpa, que vive há 16 anos. Sem pensar duas vezes, voou em direção a Moçambique para ajudar aqueles que adormeceram com pouco e no dia 14 acordaram sem nada. Em casa deixou seis filhos, um turismo rural e uma farmácia por gerir.
A forte ligação a Moçambique surgiu em 2005, altura em que abraçou o projeto Associação dos Amigos de Inharrime. Em 2013 viajou à pequena vila para conhecer Luz, a menina que 'apadrinhou' e que vive em Inharrime.
Ao lado dos Médicos do Mundo e da Cruz Vermelha Portuguesa, embarcou numa missão humanitária desejada desde o tempo de faculdade.
"Chegámos à Beira a 25 de março e os sinais de destruição eram visíveis logo no aeroporto. Soubemos que iríamos montar o nosso hospital de campanha num dos bairros mais problemáticos da Beira, cujo centro de saúde estava destruído", recorda Sílvia Bentes em entrevista ao Correio da Manhã.
Num Centro de Saúde de Macurungo, localizado num bairro na periferia da Beira, Sílvia Bentes ficou responsável pela farmácia que deu resposta não só ao próprio hospital de campanha como aos 36000 habitantes.
"Atendia os doentes do Centro de Saúde em medicamentos mais urgentes que pudessem estar em falta. O nosso papel é complementar os seus serviços, não só a nível da gestão de stocks como da sua própria organização, até que as condições normais se restabeleçam. Tem vindo a desenvolver-se um trabalho muito colaborativo de interligação entre as duas farmácias e entres os farmacêuticos portugueses e moçambicanos para melhorar as condições de saúde e o acesso ao medicamento do povo moçambicano", conta.
Em todo o mundo, pelos noticiários, corriam os gritos de socorro e sofrimento daqueles que precisavam de ajuda. Sem as condições básicas de vida asseguradas, sem acesso a água potável, alimentação ou uma casa com teto, o povo moçambicano sobreviveu dia após dia.
"Ouvi histórias de vida muito duras, que decorriam de alguma conversas, porque a maior parte das pessoas não exteriorizam o seu sofrimento, não se queixam. Vi muitas vezes pessoas que, naquele dia, ainda não tinham comido e por isso tínhamos alguns alimentos na farmácia para dar juntamente com a medicação para que a pudessem colocar alguma coisa no estômago. Na falta de medicação nas duas farmácias, como também não tinham dinheiro para comprar nas farmácias privadas, tínhamos que falar com o médico para que, caso fosse possível, substituísse aquele medicamento por outro que existisse em stock", conta.
A farmacêutica afirma que nunca vai esquecer os "sorrisos, principalmente das crianças, a alegria constante, as brincadeiras e as danças, apesar de tantas carências e de tantos problemas".
O futuro da cidade da Beira, em Moçambique, continua ainda uma incerteza que só ao destino diz respeito. Das casas apenas sobraram as moradas e das empresas os nomes. Da população apenas restou a memória de uma catástrofe natural que destruiu os corações daqueles que viram os seus familiares morrer.
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