Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, vai liderar a delegação americana na Conferência de Segurança de Munique, que arranca na sexta-feira.
A Conferência de Segurança de Munique deverá trazer "poucas surpresas" nas relações União Europeia/Estados Unidos após o discurso hostil do vice-presidente norte-americano, JD Vance, no ano passado, previu um analista em declarações à Lusa.
"A publicação da Estratégia de Segurança Nacional e da Estratégia de Defesa Nacional dos EUA já clarificou a política americana em relação à Europa, pelo que poucas surpresas são de esperar", sublinhou Emil Archambault à agência Lusa.
No entanto, para o investigador Associado no Conselho Alemão de Relações Internacionais (DGAP), dada a dimensão da delegação americana, existem oportunidades para "aprofundar as relações" com atores americanos "para além do poder executivo".
"O Congresso continua a ser um contrapeso essencial a eventuais excessos presidenciais, e a Europa beneficiará ao continuar a dialogar com senadores e estados", adiantou.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, vai liderar a delegação americana na Conferência de Segurança de Munique, que arranca na sexta-feira. Espera-se que mais de 50 membros do Congresso compareçam.
"É uma das últimas oportunidades para que membros do Congresso com mentalidade transatlântica se encontrem com europeus de mentalidade semelhante", sustentou Stephan Bierling, professor de Relações Internacionais na Universidade de Regensburg, na Alemanha, e especialista em política externa alemã e transatlântica.
Klaus Brummer, professor de Ciência Política na Universidade Católica de Eichstätt-Ingolstadt, na Alemanha, e investigador nas áreas da política externa, do papel dos líderes políticos e das relações internacionais, não espera ver "alterações imediatas" como resultado da conferência.
"Os efeitos positivos potenciais são mais prováveis a médio ou longo prazo, à medida que os europeus estabeleçam ou reforcem relações com políticos que possam vir a ocupar posições de topo na política norte-americana numa era pós-Trump", sublinhou à Lusa.
Para Brummer, o discurso do vice-presidente norte-americano JD Vance em Munique, no ano passado, em que sublinhou que a ameaça ao continente europeu vinha de dentro, foi "um alerta".
"Embora muitos europeus já esperassem divergências com uma segunda administração Trump no que respeita à avaliação de desafios em países terceiros, o discurso de Vance abriu uma nova linha de tensão centrada na política interna dos Estados europeus. A recém-adotada Estratégia Nacional de Segurança reforçou essa narrativa", apontou.
De acordo com o especialista, ao criticar os europeus pelas suas políticas internas, nomeadamente no que diz respeito à migração ou à alegada repressão das liberdades políticas, iniciou-se uma "espécie de guerra cultural" que demonstra que as diferenças transatlânticas não se limitam a questões estratégicas.
"A mensagem dos membros da administração Trump provavelmente não será muito diferente do discurso de Vance do ano passado. Poderá haver um tom mais cordial, mas o conteúdo já foi definido na recente Estratégia Nacional de Segurança, e não espero que os membros da administração se desviem dessa linha", acrescentou.
Stephan Bierling admite que, com o seu discurso em 2025, Vance anunciou o "divórcio transatlântico" devido a diferenças irreconciliáveis de valores. Os últimos 12 meses, acredita, reforçaram que a mensagem era para ser levada a sério, e não apenas uma provocação.
"Esse discurso revelou a hostilidade americana em relação à unidade e à autonomia europeias, e reforçou o desejo da União Europeia de se dissociar dos Estados Unidos em várias áreas, embora não em todas, nem de forma definitiva", reforçou Emil Archambault.
"A intenção declarada pelos EUA de interferir na política interna europeia, anunciada por JD Vance, continua a ser motivo de grande preocupação, dado que os Estados Unidos procuram usar movimentos extremistas europeus para fragmentar o continente", acrescentouo investigador Associado no Conselho Alemão de Relações Internacionais (DGAP).
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