Carolina Hardt burlou reiteradas vezes a ordem processual em ações que comandou.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que tutela toda a justiça no Brasil, afastou da magistratura a juíza Carolina Hardt, que ficou famosa em 2018 ao condenar o hoje presidente Lula da Silva a 12 anos de prisão por corrupção copiando uma sentença proferida um ano antes pelo ex-juiz da Operação Lava Jato, Sérgio Moro, a quem sucedeu.
A decisão foi tomada pelo juiz corregedor do CNJ, Luiz Felipe Salomão, a quem cabe investigar e punir desvios de conduta e crimes cometidos por juízes de qualquer instância da justiça brasileira.
De acordo com a decisão de Salomão, Carolina Hardt burlou reiteradas vezes a ordem processual em ações que comandou, violou inúmeras vezes o código da magistratura, cometeu vários crimes de prevaricação e chegou a desrespeitar decisões do próprio Supremo Tribunal Federal (STF).
Na decisão, Luiz Felipe Salomão escreve que a juíza Carolina Hardt e outros membros da Operação Lava Jato, nomeadamente procuradores do Ministério Público Federal (MPF) e juízes de segunda instância ligados ao grupo comportavam-se como se fossem um poder paralelo intocável, que supostamente se sobrepunha a todos os outros.
A magistrada agora afastada de qualquer função na justiça, sucedeu em 2018 ao juiz Sérgio Moro no comando da Operação Lava Jato, que era comandada na 13. Vara Federal de Curitiba, capital do estado do Paraná, quando o então magistrado deixou a carreira jurídica para ser ministro da Justiça e Segurança Pública do nessa altura recém-eleito presidente Jair Bolsonaro.
A juíza tinha tanta idolatria por Moro que citava repetidamente o antigo chefe em sentenças dela e, no caso de Lula da Silva, simplesmente copiou a sentença em que Sérgio Moro condenou o nessa altura ex-presidente a 12 anos de cadeia em 2017 para o condenar a uma nova pena de 12 anos em 2018 sem praticamente mudar uma vírgula na nova sentença, ambas já anuladas pelo STF.
Ainda de acordo com a decisão de afastamento de qualquer função em qualquer área da magistratura, Carolina Hardt é acusada de combinar com Deltan Dallagnol, chefe dos procuradores do Ministério Público Federal, ações e decisões que tomariam em conjunto para condenar Lula e outros então arguidos, o que fere a norma de separação dos poderes e cerceia a capacidade de defesa.
Também foi a magistrada que criou os fundamentos legais para a criação de uma suposta fundação sem fins claros que seria abastecida com pelo menos 500 milhões de euros de verbas desviadas da Petrobrás e recuperadas pela Operação Lava Jato, e que, curiosamente, seria gerida pelo próprio Dallagnol, também já afastado do MPF, por Carolina e pelo grupo de que faziam parte.
Além de Carolina Hardt, o juiz corregedor determinou igualmente o afastamento da magistratura dos desembargadores Thompson Flores e Loraci Flores de Lima, do Tribunal Regional Federal da 4. Região (TRF-4)a segunda instância da justiça onde iam parar os recursos dos condenados na Lava Jato, e o juiz Danilo Pereira Júnior, actual titular da 13. Vara de Curitiba.
Salomão acusa a todos de também descumprirem regras básicas que magistrados devem respeitar, de rejeitarem recursos de arguidos, como em diversas ocasiões os de Lula da Silva, sem qualquer análise técnica e agindo por convicção ideológica e interesses próprios e não de acordo com o que a lei prevê, tendo eles também desobedecido diversas vezes a ordens do Supremo Tribunal Federal, chegando a mandar prender arguidos já ilibados pelo STF.
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