Consulado pediu apoio monetário ou na forma de "roupas, materiais de higiene, medicamentos, alimentos não perecíveis, material didático, utensílios domésticos [e] material de produção agrícola".
O Consulado-Geral de Moçambique em Macau apelou à recolha de donativos, monetários e em espécie, para as vítimas das inundações que afetaram nas últimas semanas o país lusófono africano, causando, pelo menos, 14 mortos.
Num comunicado, o cônsul-geral Rodrigues Muêbe pediu "apoio humanitário e solidário junto das instituições público-privadas, associações e pessoas de boa vontade de Macau e da região da Grande Baía".
A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau é um projeto de Pequim para integrar os dois territórios de Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong numa região com mais de 86 milhões de habitantes e uma economia superior a um bilião de euros em 2023.
O consulado pediu apoio monetário ou na forma de "roupas, materiais de higiene, medicamentos, alimentos não perecíveis, material didático, utensílios domésticos [e] material de produção agrícola".
O objetivo é "ajudar as vítimas das cheias e inundações a erguerem as suas vidas", perante uma "situação que decorre dos efeitos das mudanças climáticas", lamentou a representação diplomática moçambicana.
Os donativos monetários serão aceites nas contas do consulado no Banco Nacional Ultramarino (BNU), que pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD), enquanto os donativos em espécie serão encaminhados para um ponto de recolha em Cantão, na vizinha província chinesa de Guangdong.
Na terça-feira, Moçambique avaliou em 644 milhões de dólares (537,6 milhões de euros) as infraestruturas destruídas e afetadas pelas inundações, com o Governo a adiantar um plano de reconstrução.
O número de mortos nas cheias das últimas semanas em Moçambique subiu para 14, com quase 692 mil pessoas afetadas, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) moçambicano.
De acordo com a base de dados do INGD, com dados até às 15:30 (13:30 de Lisboa) de terça-feira, as cheias deixaram quase 155 mil casas inundadas, 3.447 parcialmente danificadas e 771 totalmente destruídas.
Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e quatro desaparecidos na sequência das cheias, desde 07 de janeiro, numa altura em que famílias ainda aguardam ser resgatadas, sobretudo no sul de Moçambique.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas semanas de cheias, já morreram 137 pessoas em Moçambique, além de 148 feridos e 812.335 pessoas foram afetadas, segundo dados do INGD.
Estão atualmente ativos 100 abrigos (11 foram entretanto encerrados), com 94.657 pessoas. Nesta atualização, contabiliza-se ainda que foram afetadas, desde 07 de janeiro, 229 unidades sanitárias e 353 escolas, quatro pontes e 1.336 quilómetros de estrada.
A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Noruega e Japão, além de países vizinhos da África austral, já anunciaram e enviaram ajuda humanitária de emergência.
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