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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Cunhado do rei de Espanha aguarda recurso em liberdade

Marido de Infanta Cristina fica em liberdade sem pagar fiança.

23 de fevereiro de 2017 às 10:40

O cunhado do Rei Felipe VI de Espanha, Iñaki Urdangarin, fica em liberdade sem pagar fiança enquanto espera pelo recurso da sua condenação por fraude e desvio de dinheiros públicos, decidiu hoje o tribunal de Palma de Maiorca.

Iñaki Urdangarin foi condenado na semana passada a seis anos e três meses de prisão por fraude e desvio de dinheiros públicos no âmbito do caso Noos. Entretanto, o Ministério Público espanhol solicitou ao tribunal de Palma de Maiorca(onde o caso foi julgado) prisão preventiva, mas com possibilidade de ficar em liberdade mediante uma fiança de 200 mil euros.

No entanto, o tribunal decidiu hoje que apenas lhe seriam impostas medidas cautelares como a obrigatoriedade de se apresentar no dia 01 de cada mês perante as autoridades judiciais do seu país de residência (neste caso a Suíça) e comunicar ao tribunal qualquer deslocação para fora da Europa ou mudança de residência, incluindo temporária.

A Audiência de Palma considerou que Urdangarin tem suficientes raízes (familiares, sociais e laborais) em território espanhol para mitigar o risco de fuga, mesmo após a leitura de sentença.

Urdangarin saiu das instalações da Audiência de Palma de Maiorca entre gritos de "ladrão" e "devolve o dinheiro" lançados por um grupo de pessoas concentrado à porta do tribunal.

Muitos dos curiosos à porta do tribunal expressaram também a sua indignação pela decisão do tribunal de manter Urdangarin em liberdade (bem como ao outro condenado, Diego Torres), e de não lhe impor a fiança de 200 mil euros pedida pelo Ministério Público.

O marido da infanta Cristina e cunhado do rei foi condenado a seis anos e três meses de prisão e ao pagamento de uma multa de 512.553 euros por enriquecimento com dinheiros públicos através de um esquema fraudulento feito pelo Instituto Nóos, que fundou e dirigiu entre 2004 e 2006.

O sócio de Urdangarin, Diego Torres, foi condenado a oito anos e seis meses de prisão por cinco delitos de corrupção cometidos como corresponsável no Instituto Nóos.

A decisão do juiz é conhecida 11 anos depois do início do caso, quando um deputado socialista pediu explicações pelos custos elevados de um fórum sobre turismo e desporto organizado por Iñaki Urdangarin para o governo regional das Ilhas Baleares.

Urdangarin era acusado de ter utilizado as suas ligações à família real para ganhar concursos públicos para organizar, entre outros, eventos desportivos, tendo em seguida desviado fundos para a Aizoon, uma empresa que geria em conjunto com a infanta Cristina e utilizava para financiar o seu estilo de vida luxuoso.

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