Anúncio surge poucos dias depois de o Grok ter gerado protestos e críticas globais por gerar conteúdos manipulados sexualizados de pessoas sem o seu consentimento.
O secretário da Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que o Grok, 'chatbot' de inteligência artificial (IA) desenvolvido pela empresa xAI de Elon Musk, irá passar a operar dentro da rede do Pentágono.
"Muito em breve, teremos os principais modelos de IA do mundo em todas as redes, classificadas e não classificadas, de todo o nosso departamento", disse Hegseth, num discurso nas instalações da SpaceX, a empresa de voos espaciais de Musk.
O anúncio de segunda-feira surge poucos dias depois de o Grok --- que está integrado na rede social X, também detida por Musk --- ter gerado protestos e críticas globais por gerar conteúdos manipulados ('deepfake') sexualizados de pessoas sem o seu consentimento.
A Malásia e a Indonésia foram os primeiros países a bloquear o Grok, no fim de semana, face a preocupações de que esteja a ser utilizado para gerar imagens sexualmente explicitas.
Na semana passada, o Grok limitou a criação e edição de imagens pelos utilizadores, após ter recebido uma onda de criticas.
Mas os reguladores dos dois países afirmaram que os controlos existentes não estavam a impedir a criação e divulgação de conteúdos pornográficos.
Na segunda-feira, a Autoridade Reguladora das Comunicações do Reino Unido iniciou uma investigação ao Grok para perceber se estará a ser utilizada para sexualizar imagens de mulheres e crianças.
A Comissão Europeia também anunciou que ia investigar casos de imagens sexuais de menores geradas pelo Grok, na sequência da introdução de uma funcionalidade que permite `deepfake`.
Lançado em 2023, o Grok é uma ferramenta de utilização gratuita no X (antigo Twitter). A funcionalidade que permite gerar imagens foi adicionada no ano passado.
Hegseth afirmou que o Grok entrará em funcionamento no Departamento de Guerra ainda este mês e anunciou que disponibilizará todos os dados relevantes dos sistemas informáticos militares para "exploração de IA".
O secretário disse ainda que os dados de bases de dados de inteligência serão inseridos nos sistemas de IA, como parte de um esforço mais amplo para alimentar a tecnologia em desenvolvimento com o máximo de dados militares possível.
A anterior Administração dos Estados Unidos promulgou uma estrutura, no final de 2024, que proibia certas utilizações da IA, como aplicações que violariam os direitos civis constitucionalmente protegidos ou qualquer sistema que automatizasse o lançamento de armas nucleares.
Hegseth falou sobre a necessidade de agilizar e acelerar as inovações tecnológicas dentro das forças armadas: "Precisamos que a inovação venha de qualquer lugar e evolua com rapidez e propósito".
O secretário salientou que o Pentágono possui "dados operacionais comprovados em combate, provenientes de duas décadas de operações militares e de inteligência".
"A IA só é tão boa quanto os dados que recebe, e vamos garantir que estão disponíveis", disse Hegseth.
O secretário afirmou que deseja que os sistemas de IA dentro do Pentágono sejam responsáveis, embora tenha acrescentado que estava a descartar quaisquer modelos de IA "que não permitam que se combatam guerras".
Hegseth disse que a sua visão para os sistemas de IA militar significa que operam "sem restrições ideológicas que limitem as aplicações militares legítimas".
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