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Correio da Manhã

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Equipas de resgate lutam contra o tempo para salvar Julen

Está a ser escavado um túnel na vertente da serra para chegar ao local onde está o bebé.
F.J.G. 16 de Janeiro de 2019 às 01:30
Autoridades mobilizaram todos os meios técnicos e humanos para tentar resgatar o pequeno Julen, que está a mais de 70 metros de profundidade
Pais não arredam pé de junto do poço
Equipas de resgate com dificuldades em retirar a criança
Equipas de resgate com dificuldades em retirar a criança
Autoridades mobilizaram todos os meios técnicos e humanos para tentar resgatar o pequeno Julen, que está a mais de 70 metros de profundidade
Pais não arredam pé de junto do poço
Equipas de resgate com dificuldades em retirar a criança
Equipas de resgate com dificuldades em retirar a criança
Autoridades mobilizaram todos os meios técnicos e humanos para tentar resgatar o pequeno Julen, que está a mais de 70 metros de profundidade
Pais não arredam pé de junto do poço
Equipas de resgate com dificuldades em retirar a criança
Equipas de resgate com dificuldades em retirar a criança
As buscas pelo pequeno Julen continuam sem descanso desde domingo em Totalán, Málaga, e novos meios técnicos e humanos vão-se somando aos cerca de 100 efetivos da polícia e dos bombeiros já no local. O menino de dois anos e meio caiu num poço de mais de cem metros de fundo e 25 cm de largura quando a família estava reunida na quinta de um tio do menor.

Oito técnicos da brigada de salvamento mineiro de Hunosa, nas Astúrias, foram esta terça-feira transportados para Málaga num avião militar fretado pelo Ministério da Defesa, para prestar apoio na construção de um túnel na vertente do terreno onde se encontra o poço. O objetivo desse túnel é atingir na perpendicular a zona onde se pensa que esteja Julen. A perícia dos técnicos de minas será importante para evitar derrocadas na fase final de escavação do túnel, que terá cerca de 80 metros de comprimento.


Este túnel é agora a principal opção das equipas de resgate, depois de o acesso direto pelo poço de prospeção de água onde caiu a criança ter sido dificultado por um novo obstáculo. A sonda com uma câmara enviada para localizar Julen no poço, encravou a 73 metros na segunda-feira e terça-feira encravou uma vez mais, desta feita a cerca de 80 metros.

A nova zona bloqueada está tapada com terra e pedras possivelmente arrastadas durante a queda da criança. Os esforços para aspirar essa terra a partir da superfície revelaram-se infrutíferos, só se conseguindo avançar cerca de 60 cm.

As autoridades garantem que todos os esforços estão a ser levados a cabo com a maior urgência, partindo do princípio de que o menor está vivo. Mas a verdade é que, tendo em contra a profundidade a que caiu, ninguém sabe se a criança ainda se encontra viva. A esperança da família é que o pequeno Julen esteja numa bolsa de ar que lhe permita respirar.

Além de sete unidades da polícia, há pelo menos seis organismos autárquicos, quatro unidades de bombeiros e da proteção civil e 13 empresas privadas de engenharia, construção civil, minas e montanhismo envolvidas no resgate. A estes apoios somam-se novas ofertas chegadas de todas as regiões de Espanha, que vive uma onda crescente de solidariedade com a família do menor.

Túnel de 80 metros em linha reta
O túnel de resgate terá cerca de 80 metros e está a ser escavado em linha reta a partir de uma das encostas do monte. Numa fase inicial o trabalho está a cargo de máquinas, mas a fase final será escavada à mão.

Duas opções descartadas
Duas das três opções de resgate inicialmente avançadas já foram descartadas. Socorristas desistiram de remover a terra que tapa o buraco e também não vão escavar túnel paralelo ao poço por motivos de segurança.

Pais de Julen vivem uma segunda tragédia
Os pais de Julen vivem uma nova tragédia. Em 2017, José Rocío e Victória García perderam o filho mais velho, morto de ataque cardíaco fulminante aos três anos, quando brincava na praia.

Agora, estão desesperados com o desaparecimento de Julen. Desde domingo, quando o menino de dois anos e meio caiu a um poço, dormem no carro, bem perto do buraco de 100 metros de profundidade por onde desapareceu o filho.

José agradece o trabalho "sem descanso" da polícia e bombeiros e também as mensagens de apoio, mas lembrou ao governo espanhol "que o que faz falta são meios". "As horas passam e o apoio não chega", disse esta terça-feira a uma rádio espanhola.

PORMENORES
Especialistas no terreno
Os oitos elementos da Brigada de Salvamento Mineiro de Hunosa, Astúrias, que esta terça-feira chegaram ao local, são especializados em resgates complicados, em condições de baixa visibilidade, bem como no escoramento de paredes rochosas para evitar deslizamentos de terras. Dada a urgência, foram transportados num avião da Força Aérea espanhola.

Salvadores dos chilenos
Outro apoio importante às operações de resgate vai chegar da Suécia, da empresa Stocholm Precision Tools AB. O nome pode dizer pouco, mas esta foi a empresa que, em agosto de 2010, localizou o ponto exato onde estavam os 33 mineiros chilenos soterrados na mina de San José, a uma profundidade de 700 metros, fator crucial para o sucesso do resgate.

Georradar
As autoridades estão a avaliar a possibilidade de usar um georradar para tentar obter uma imagem mais detalhada da zona onde poderá estar a criança para planear melhor o ângulo de ataque do túnel que está a ser escavado em contrarrelógio.
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