Esquema bárbaro envolve a recolha de orgãos, sem consentimento, a prisioneiros.
A série sul-coreana 'Squid Game', que estreou a 17 de setembro na Netflix, tornou-se um grande sucesso da plataforma e está envolta em muita polémica. Na série, cerca de 400 pessoas lutam por um prémio de 44 milhões de euros. Têm de ganhar jogos infantis mas o risco de perder significa... morrer. A trama não é baseada em factos reais, no entanto, na China, há relatos de uma realidade muito semelhante.
Um esquema bárbaro que envolve a recolha de órgãos, sem consentimento, a prisioneiros, está a ser denunciado por grupos de ativistas dos direitos humanos. De acordo com relatórios de grupos de ativistas dos direitos humanos, minorias como seguidores do movimento religioso Falun Gong, uigures, tibetanos, muçulmanos e cristãos, estão a ser detidos na China sem serem explicados os motivos da prisão ou emitidos mandados de prisão.
Especialistas da ONU acreditam que os detidos são submetidos a exames de sangue sem consentimento para posterior colheita. "A extração forçada de órgãos na China parece ter como alvo minorias étnicas, linguísticas ou religiosas específicas", explicaram especialistas da ONU.
Dezenas de milhares de dissidentes e prisioneiros políticos são mortos todos os anos como parte, alegadamente, de um esquema bárbaro de colheita de órgãos para o mercado negro. Um esquema que será liderado pelo governo chinês, segundo o Daily Mail. Os principais órgãos recolhidos sem autorização são corações, rins, fígados e até córneas.
"Esta forma de tráfico de natureza médica supostamente envolve profissionais do setor de saúde, incluindo cirurgiões, anestesistas e outros médicos", explicaram especialistas da ONU. Na China, existe uma grande escassez de órgãos que podem ser utilizados em transplantes. Porém, há regras controversas que levantam suspeitas sobre "mortes por encomenda".
"Uma recente análise estatística do atual sistema de transplante de órgãos da China mostrou que os números que a China tem divulgado foram falsificados", disse ao Daily Mail Australia Susie Hughes.
Em 2020, o Tribunal da China publicou um relatório histórico de 460 páginas após 18 meses de investigação sobre a colheita de órgãos no país. O médico Enver Tothi - que agora trabalha como motorista da Uber - relatou que foi forçado a remover órgãos de um prisioneiro enquanto trabalhava como médico em 1995.
"Quando cortei [uma das vítimas], havia hemorragia, o que significa que o coração ainda estava a bater", explicou o antigo médico. "Este homem foi baleado no peito. Colocaram-no inconsciente, mas não o deixaram morrer imediatamente, por isso eu tive tempo para remover os órgãos", conclui.
A identidade do homem que foi forçado a operar, sem anestesia, permanece um mistério. Enver Tothi foi instruído a nunca dizer o que ali tinha acontecido.
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