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Estados Unidos criticam OMC por fracasso no acordo sobre comércio eletrónico

EUA acusaram o Brasil e a Turquia de terem bloqueado as negociações.

31 de março de 2026 às 07:54

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, criticou veementemente a Organização Mundial do Comércio (OMC), após o fracasso das negociações sobre a prorrogação da moratória que isenta o comércio eletrónico de direitos aduaneiros.

"Sempre fui cético quanto à utilidade da OMC, e a conferência desta semana confirmou que esta organização desempenhará apenas um papel limitado nos futuros esforços em matéria de política comercial mundial", declarou Jamieson Greer num comunicado divulgado na segunda-feira.

Os Estados Unidos, que reclamam uma moratória permanente sobre os produtos do comércio eletrónico, acusaram o Brasil e a Turquia de terem bloqueado as negociações, que terminaram na segunda-feira nos Camarões sem um acordo significativo.

Os membros da OMC aplicam geralmente direitos aduaneiros às mercadorias e serviços importados, mas, em 1998, concordaram em não os impor ao comércio eletrónico desmaterializado.

A conferência ministerial da OMC, organizada de dois em dois anos, vinha a renovar esta moratória, sem interrupção, há quase três décadas.

Alguns países em desenvolvimento mostraram-se hesitantes no passado fim de semana, vendo na moratória uma perda de receitas fiscais e, devido à falta de um acordo, a isenção expirou na segunda-feira.

O fim da moratória não implica automaticamente novos direitos aduaneiros, mas constitui um revés importante para os países desenvolvidos e, em particular, para os Estados Unidos.

As negociações em Yaoundé decorreram num contexto de turbulência económica mundial, associada à guerra no Médio Oriente e num ambiente comercial abalado pelos direitos aduaneiros impostos pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

No final dos trabalhos na capital dos Camarões, a diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, lamentou a falta de acordo, não obstante o prolongamento das negociações por quase 24 horas.

"Embora nos tenhamos esforçado muito, faltou-nos tempo", declarou Okonjo-Iweala no final da 14.ª conferência ministerial da OMC, indicando que o assunto será retomado em Genebra, sede da organização, em maio, e manifestando a confiança de que as delegações dos 166 países-membros possam, com mais tempo, chegar a um acordo. 

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