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Correio da Manhã

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Molenbeek: "Estou aqui pela paz"

Povo saiu à rua para dizer que nem todos são iguais.
Miguel Fernandes 19 de Novembro de 2015 às 12:10
Os manifestantes de Molenbeek fizeram-se acompanhar por muitas crianças, algumas delas ainda bebés
Os manifestantes de Molenbeek fizeram-se acompanhar por muitas crianças, algumas delas ainda bebés FOTO: Olivier Hoslet/EPA
"Estou aqui em nome da paz. Eu amo a vida." As palavras desta mãe, com uma criança de cinco meses ao colo, eram partilhadas por mais de três mil pessoas que esta quarta-feira se manifestaram em Molenbeek, Bruxelas, em memória das vítimas dos atentados de Paris.

Ao apelo à paz juntou-se um outro: "Não façam generalizações", pediu a multidão, que se sente estigmatizada, já que este bairro da capital belga é visto como uma placa giratória do jihadismo na Europa, uma espécie de "ninho de terroristas".


Aqui viveu Abdelhamid Abaaoud, considerado o cérebro da operação terrorista levada a cabo sexta-feira, em Paris.

Não é estranho, pois, que as autoridades policiais, que continuam a patrulhar, em força, todo o Molenbeek, onde vivem cerca de 95 mil pessoas, de maioria muçulmana, tenham identificado já vários islamitas radicais, com ligações a ataques terroristas. Exemplo das preocupações da polícia belga com esta zona dos arredores de Bruxelas ficou bem expresso no facto de a manifestação ter sido guardada por cem polícias.

Daí que, ao apelo à paz, se tenha juntado a palavra "tolerância". Nos discursos políticos e numa enorme faixa branca e preta empunhada pelos manifestantes, em que podia ler-se: "Estamos solidários com as vítimas de Paris, mas pedimos tolerância." A vigília foi organizada por movimentos cívicos e juntou famílias inteiras. Muitas levaram os filhos em carrinhos de bebé, outras crianças pela mão.

A verdade é que a polícia tem levado muito a sério as ameaças por toda a cidade de Bruxelas. As pessoas são abordadas e revistadas na rua, gente de todas as nacionalidades, mas sobretudo muçulmanos. Respira-se medo nas ruas e em cada esquina.
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