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Presidente brasileiro pediu, durante um encontro de três horas com Donald Trump na Casa Branca, que o presidente dos EUA não adotasse a medida e saiu de lá convencido de que o pedido seria aceite.
Os EUA anunciaram ter decidido classificar as duas maiores fações criminosas do Brasil, o PCC, Primeiro Comando da Capital, de S. Paulo, e o CV, Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, como organizações terroristas, impondo um severo revés ao presidente do Brasil, Lula da Silva. Lula é frontalmente contra essa classificação e semanas atrás, durante um encontro de três horas com Donald Trump na Casa Branca, pediu ao americano que não adotasse a medida e saiu de lá convencido de que o pedido seria aceite.
Além de passarem a considerar o PCC e o CV como grupos terroristas, os Estados Unidos ainda os colocaram na lista de maior gravidade. Ao invés de classificarem os dois grupos criminosos como organizações terroristas estrangeiras, os EUA classificaram-nos como organizações terroristas globais, o que permite a Washington adotar medidas ainda mais duras, que Lula tentou evitar ao longo de todo o seu terceiro mandato, iniciado em 2023.
Pelas leis norte-americanas, a nova classificação permite ações directas da inteligência dos EUA contra os dois grupos em território brasileiro sem consulta ou aviso a Brasília, permite bloquear contas, montantes e bens de pessoas, entidades e até bancos suspeitos de ligação a essas organizações, e pode provocar a restrição de investimentos e a adoção de novas sanções ao país. Em último caso, e esse é o maior temor de Lula da Silva a menos de cinco meses das eleições presidenciais, os EUA podem usar meios militares para bloquear as águas nacionais do Brasil com uma poderosa força naval alegando precisarem impedir que o PCC e o CV continuem a enviar drogas para território americano, pretexto que usaram no final de 2025 e início de 2026 para abordar e afundar inúmeras embarcações em águas da Venezuela.
A decisão, formalizada pelo Departamento de Estado com a anuência de Donald Trump, também configura uma inesperada prova de força e de influência na Casa Branca do principal adversário de Lula na corrida presidencial, o senador Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro. Flávio encontrou-se com Donald Trump na Casa Branca na terça-feira em busca de um sinal de apoio à sua campanha, e na quarta com Marco Rubio no Departamento de Estado, em ambas as ocasiões pediu que os EUA transformassem as fações criminosas em organizações terroristas e foi atendido em poucas horas.
Até ao início da tarde desta sexta-feira o governo brasileiro ainda não tinha divulgado uma posição oficial sobre a medida, que fontes afirmam ter apanhado de surpresa tanto Lula da Silva quanto o Itamaraty, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Brasil, que ficaram atónitos. A diplomacia do Brasil avaliava que o encontro de Lula com Trump, que decorreu num clima bastante amistoso, tinha anulado ou, pelo menos, adiado o risco dessa mudança na classificação das duas maiores organizações criminosas do país. (FIM).
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