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Eurodeputados saúdam parceria UE-Índia em matéria de comércio, segurança e ordem mundial regulada

Cimeira UE-Índia, que decorreu em Nova Deli, concluiu as negociações de um Acordo de Comércio Livre, que une quase dois mil milhões de pessoas e duas das maiores economias do mundo.

27 de janeiro de 2026 às 18:17

Os eurodeputados participantes na cimeira UE-Índia realizada esta terça-feira em Nova Deli saudaram a parceria dela resultante, considerando que envia uma clara mensagem em prol duma ordem internacional assente em normas e princípios do livre comércio.

Num comunicado divulgado pelo gabinete de imprensa do Parlamento Europeu (PE), os cinco eurodeputados envolvidos nas negociações referiram-se especificamente à conclusão de um acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e a Índia, bem como à sua parceria em matéria de segurança e defesa e à abrangente agenda estratégica conjunta.

"Numa altura de mudanças geopolíticas significativas e incerteza global, o resultado da cimeira UE-Índia envia um forte sinal político: demonstra que a UE está a prosseguir a sua agenda de comércio e parcerias com determinação (...) e reflete um compromisso partilhado com a ordem internacional assente em regras e com o livre comércio, [o que se] reflete no histórico acordo de livre comércio e numa cooperação mais reforçada em matéria de segurança e defesa", declarou o presidente da comissão de Negócios Estrangeiros do PE, David McAllister (PPE, Alemanha).

"O acordo reafirma também o nosso apoio ao multilateralismo e ao direito internacional", sublinhou, acrescentando que este "cria novas e importantes oportunidades de crescimento, em particular em setores essenciais como a engenharia mecânica e as indústrias automóvel, aeroespacial e química, através da redução das tarifas e das barreiras comerciais".

Segundo McAllister, "a cimeira reforçou também a cooperação em desafios globais, incluindo as alterações climáticas, a conectividade, a paz e a estabilidade".

"Em conjunto, estes compromissos impulsionam a agenda estratégica UE-Índia para 2030 e trarão benefícios concretos aos cidadãos, tanto a curto como a longo prazo", afiançou.

Por sua vez, o presidente da comissão de Comércio Internacional do PE, Bernd Lange (S&D, Alemanha), salientou o "grande potencial" das relações entre a Europa comunitária e a Índia, sustentando que "o acordo hoje concluído ajudará a explorar esse potencial económico e a fortalecer as relações e a abordagem comum ao desenvolvimento sustentável, [o que] trará benefícios económicos, políticos e sociais para ambas as partes".

A chefe da delegação do PE para as relações com a Índia, Angelika Niebler, precisou que "nos próximos meses, a delegação contribuirá para esta agenda positiva, através da diplomacia parlamentar, estabelecendo contactos e interagindo com os homólogos no parlamento indiano".

"A parceria estratégica UE-Índia precisa de abordar o comércio, a economia, a segurança e a defesa, mas também precisa de construir confiança e laços entre as nossas sociedades, entre os nossos povos", defendeu.

Na opinião do relator permanente para a Índia na comissão de Negócios Estrangeiros do PE, Vladimir Prebilic (Verdes/ALE, Eslovénia), "o acordo de comércio livre UE-Índia é um grande passo em frente e envia um sinal claro de que a Europa compreende o momento geopolítico em que se encontra".

"Em 2026, quando as alianças importam mais do que os 'slogans', este acordo mostra que a Europa está empenhada em construir novas parcerias e moldar o seu próprio futuro estratégico", afirmou.

A relatora permanente para a Índia na comissão de Comércio Internacional do PE, Cristina Maestre (S&D, Espanha), vincou que ao estabelecer um acordo com a Índia, "o maior parceiro comercial da UE, com 124 mil milhões de euros anualmente transacionados", se está "a criar uma zona de comércio livre que abrange cerca de dois mil milhões de pessoas, abrindo novas oportunidades de prosperidade e cooperação".

"Alcançar um acordo de comércio livre equilibrado, ambicioso e mutuamente benéfico não foi fácil, mas o compromisso demonstrado ao mais alto nível por ambas as partes foi extraordinário", elogiou Maestre.

"Estamos satisfeitos com a resolução progressiva das divergências e saudamos os compromissos da Índia em relação às nossas principais prioridades -- sustentabilidade e respeito dos direitos humanos --, mantendo-nos vigilantes para assegurar a sua genuína aplicação", acrescentou.

A 16.ª cimeira UE-Índia, que hoje decorreu em Nova Deli, concluiu as negociações de um Acordo de Comércio Livre, que une quase dois mil milhões de pessoas e duas das maiores economias do mundo.

Os líderes dos dois blocos assinaram também uma parceria UE-Índia em matéria de segurança e defesa e acordaram um memorando de entendimento que estabelece uma estrutura abrangente para a cooperação em matéria de mobilidade.

Foram igualmente iniciadas negociações sobre um acordo de segurança da informação, além da aprovação de várias outras propostas importantes.

A cimeira reafirmou ainda a ambição partilhada de ambos os parceiros, através da adoção de uma agenda comum para a sua parceria estratégica, intitulada "Rumo a 2030: Uma Agenda Estratégica Conjunta e Abrangente".

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