Amigo do presidente diz ser ele o responsável pelo desvio de dinheiros públicos.
Numa confissão surpreendente, o ex-polícia Fabrício Queiroz, amigo de Jair Bolsonaro há 40 anos, assumiu os crimes que o Ministério Público (MP) atribui ao filho mais velho do presidente, o hoje senador Flávio Bolsonaro, de quem durante anos foi assessor e homem de confiança para todo o serviço. Ao mesmo tempo que reconheceu os crimes, que negava desde 2018, quando o MP fez a denúncia, Queiroz fez questão de ilibar Flávio.
O hoje senador é acusado pelo MP de, quando ainda era deputado regional no Rio de Janeiro, ter montado no seu gabinete um esquema de desvio de verbas públicas, que consistia na nomeação com altos ordenados de assessores-fantasma, que não precisavam de ir trabalhar e, pelo acordo, devolviam para um saco azul do parlamentar 90% do que recebiam, ficando com o restante como recompensa. Foi com esse dinheiro, que era movimentado por Queiroz, que, segundo o MP, o filho mais velho de Bolsonaro aumentou o seu património, comprando apartamentos, salas comerciais e até uma loja de chocolates num centro comercial do Rio, pagando sempre em dinheiro vivo.
“Tal acordo [o esquema de desvios, conhecido no mundo político como ‘rachadinha’ ] foi realizado sem consulta ou anuência do então deputado estadual (Flávio Bolsonaro)”- lê-se num texto do documento que os advogados de Queiroz fizeram chegar ao processo, depois de em depoimentos presenciais ter negado tudo.
Em conversas privadas, promotores ligados à investigação terão garantido não terem dúvidas de que Queiroz disse apenas metade da verdade. Depois de uma outra ex-assessora de Flávio nos tempos de deputado ter confirmado o esquema e a participação dela na fraude, com detalhes, Queiroz, acredita o MP, assumiu a culpa para livrar o filho do presidente de punições que podem levar à perda do mandato e até à prisão.
O esquema envolvendo o filho mais velho de Bolsonaro foi descoberto, por acaso, durante uma investigação do Conselho de Acompanhamento da Atividade Financeira. Ao vasculharem as contas de funcionários da Assembleia Legislativa do Rio, os auditores descobriram movimentações bancárias estranhas de Fabrício Queiroz, que, apesar de ser um simples motorista, movimentava milhões e recebia avultadas somas de outros funcionários sempre nos dias em que estes recebiam os ordenados.
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