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Correio da Manhã

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Ex-presidente brasileira Dilma Rousseff apupada em avião

Ao longo da viagem, passageiros cantaram "a tua hora vai chegar".
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 8 de Dezembro de 2019 às 14:07
A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou no domingo o pedido de afastamento ('impeachment') de Rousseff do cargo
Dilma Rousseff
Dilma Rousseff
Dilma Rousseff, presidente do Brasil
A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou no domingo o pedido de afastamento ('impeachment') de Rousseff do cargo
Dilma Rousseff
Dilma Rousseff
Dilma Rousseff, presidente do Brasil
A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou no domingo o pedido de afastamento ('impeachment') de Rousseff do cargo
Dilma Rousseff
Dilma Rousseff
Dilma Rousseff, presidente do Brasil

Mais de três anos depois de ter sido destituída do cargo pelo Congresso em 31 de Agosto de 2016 após gigantescas manifestações de rua contra o seu governo, a ex-presidente brasileira Dilma Rousseff continua a ser hostilizada nas raras vezes em que aparece em público. No mais recente episódio, Dilma foi longamente hostilizada durante uma viagem de avião no Brasil.

Assim que entrou no avião que a levaria da cidade de São Paulo para a de Porto Alegre, no sul do Brasil, onde vive, Dilma já começou a ser apupada por outros passageiros e a ser ofendida. Ao longo da viagem, ela teve de ouvir cânticos irónicos de passageiros, que entoavam parte do refrão da trilha de uma novela em exibição na Tv Globo que termina com a frase "a tua hora vai chegar".

Mas foi ao descer da aeronave, já em Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul, que as hostilidades aumentaram. Dilma foi chamada de "Bandida", "incompetente" e "corrupta", neste último caso numa alusão aos escândalos de corrupção envolvendo o Partido dos Trabalhadores, PT, a que pertence, e o seu padrinho político, Lula da Silva, recentemente libertado da cadeia onde cumpria pena por corrupção.

Ao longo de toda a viagem, a ex-chefe de Estado, acusada pelo Congresso de irregularidades financeiras na sua gestão, foi acusada pelos passageiros de ter destruído a economia do Brasil e de ser responsável pelos mais de 12 milhões de desempregados que o país tem oficialmente, além de muitos milhões que vivem na informalidade. A antiga presidente respondeu apenas algumas vezes com ironia, dizendo aos que a hostilizavam que se não gostam dela nem do PT que vão apoiar o actual presidente, Jair Bolsonaro, e as milícias que ela afirmou estarem por trás dele.

Apresentada ao Brasil por Lula da Silva para o suceder quando ele já não podia concorrer a outro mandato presidencial consecutivo, em 2010, Dilma foi "vendida" pelo então presidente como uma grande líder, com sólida formação económica e técnica capaz de elevar o Brasil ao patamar das grandes potências mundiais. Mas o que se viu foi um governo absolutamente desastroso, onde a então crescente economia brasileira afundou, e onde todas as áreas, da saúde à segurança pública, sofreram uma brutal queda de qualidade, mergulhando o país numa crise generalizada de que até hoje não conseguiu sair.
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