Impacto económico do fim das exportações de petróleo venezuelano poderá significar uma queda de 27% no Produto Interno Bruto, revela estudo.
O fim do fornecimento de petróleo venezuelano, que em 2025 colmatava cerca de 30% das necessidades energéticas de Cuba, provocou longas filas nos postos de combustível da ilha, que ainda se adapta à detenção de Nicolás Maduro pelos EUA.
Um estudo fornecido à agência Efe pelo economista cubano Miguel Alejandro Hayes estima que o impacto económico do fim das exportações de petróleo venezuelano poderá significar uma queda de 27% no Produto Interno Bruto (PIB), um aumento de 60% nos preços dos alimentos e um aumento de 75% nos custos de transporte em Cuba.
Sentado na sua mota sob o sol abrasador de Havana, no meio de uma longa fila de carros à espera de abastecer, Jesús Méndez, de 66 anos, com o seu característico humor caribenho, analisa a situação de Cuba sem o petróleo venezuelano: "[A situação] é dura... e tomo viagra para me manter forte".
A escassez de combustível em Caracas após a deposição de Maduro levou ao reaparecimento de filas nas bombas de gasolina, um cenário familiar na ilha que surge e desaparece a cada nova crise num país habituado a viver no limite.
Mas para Yanely, uma cubana de 46 anos que esperava na fila há uma hora sem se mexer, esta crise é diferente.
Estas já não são as filas fantasmas que esperam dias em postos de abastecimento vazios pela chegada de um camião-cisterna, mas trata-se de filas de pânico, nascidas da incerteza de Havana ficar sem o seu principal fornecedor de combustível, apontou Yanely.
As estimativas indicam que o petróleo venezuelano suprimiu 30% das necessidades energéticas da ilha em 2025.
O seu desaparecimento abre uma lacuna que o Estado cubano não consegue preencher, sobretudo devido à falta de divisas para importar de outros fornecedores.
Vários carros atrás de Yanely, Ramón García, um reformado de 70 anos, concorda com a análise.
Habituado a ter reservas de gasolina em casa, quando viu a operação militar dos EUA na Venezuela, em 03 de janeiro, soube que tinha de se preparar para o pior cenário.
"Tinha um pouco de gasolina em casa e vim buscá-la, porque não sei o que pode acontecer amanhã. Tenho quase a certeza que será percetível, porque estou a acompanhar a situação de perto", explicou à Efe.
As longas filas nos postos de abastecimento que cobram em dólares contrastam fortemente com as filas nos postos que cobram em pesos cubanos, com cones laranja em frente às bombas e sem carros porque não há combustível.
No ano passado, o Governo cubano 'dolarizou' vários postos de abastecimento de combustível no âmbito das medidas para lidar com a queda acentuada do turismo e das remessas de dinheiro, e deu agora prioridade ao abastecimento destes estabelecimentos.
Perante a ameaça de escassez, Jesús Méndez, motociclista de 66 anos que ainda espera na fila, deixou à agência Efe uma pergunta no ar: "Enquanto aqueles loiros do outro lado (os Estados Unidos) continuarem a espremer-nos, o que vamos fazer? Onde vamos buscar gasolina se o petróleo que temos aqui em Cuba está cheio de enxofre e é inútil?".
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