Pelo menos 12 pessoas morreram e quase 617 mil foram afetadas desde 7 de janeiro nas cheias generalizadas que se registam no país africano.
Genita Ramos, grávida de 22 anos, ficou sem as duas pernas depois de a sua casa desabar enquanto dormia, na sequência de fortes chuvas, ventos e trovoadas registadas em Alto Molócue, província da Zambézia, centro de Moçambique.
"Eu estava a dormir quando ouvi um barulho forte. De repente tudo caiu em cima de mim e senti uma dor enorme", conta à Lusa a jovem, em lágrimas, grávida de cinco meses e mãe de uma criança de 2 anos.
A vida da jovem mudou de rumo na tarde de 4 de dezembro quando a casa desabou sobre si, na sequência do mau tempo, causando-lhe ferimentos graves, o que obrigou a uma transferência para o Hospital Central de Nampula (HCN), naquela província do norte de Moçambique.
Genita deu entrada no HCN em 9 de dezembro, depois de, com alguma dificuldade, conseguir 4.000 meticais (53,28 euros) de transporte - através da ajuda de familiares e membros da sua congregação religiosa - para receber a pior notícia.
"Os médicos disseram que não havia outra solução senão amputar as duas pernas", diz à Lusa Amina João, mãe de Genita, referindo que, segundo os médicos de Nampula, esta foi a única forma de salvar a vida da jovem.
Apesar da gravidade do acidente, os profissionais de saúde avançaram à Lusa que a mulher está fora de perigo e a gestação corre normalmente.
Genita Ramos e o seu marido, Castelo Cardoso, de 25 anos, ambos camponeses, também perderam a casa e preveem um futuro difícil, pedindo apoio para reconstruir a residência e uma barraca provisória para que possam retomar a vida.
"Precisamos de ajuda para reconstruir a nossa casa e levantar uma barraca para podermos sobreviver", diz Castelo Cardoso, que se encontrava em cerimónias de ritos de iniciação quando o incidente ocorreu.
Para a casa não se tem ainda resposta, mas Genita ganhou já uma cadeira de rodas para facilitar a locomoção, oferecida pela esposa do governador de Nampula, Nazira Abdula.
Pelo menos 12 pessoas morreram e quase 617 mil foram afetadas desde 7 de janeiro nas cheias generalizadas que se registam em Moçambique, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas duas semanas de cheias, já morreram 123 pessoas em Moçambique e mais de 720 mil pessoas foram afetadas em todo o país, segundo o INGD.
Devido à situação, o Governo moçambicano decretou o alerta vermelho nacional.
Esta sexta-feira prosseguem ações e tentativas de resgate de centenas de famílias que continuam sitiadas pelas cheias, algumas refugiadas em telhados de casas, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas, quase ininterruptas desde há vários dias, e que têm levado as barragens, incluindo dos países vizinhos, a realizarem fortes descargas, por falta de capacidade.
Estão envolvidos nestas operações, condicionadas pelo estado do tempo, mais de uma dezena de meios aéreos, incluindo da África do Sul, bem como embarcações privadas e da Marinha de Guerra.
Em Maputo, as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis, devido à subida das águas.
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