Um ginecologista da cidade brasileira de Taubaté, interior do estado de São Paulo, acusado de molestar sexualmente pacientes durante consultas no hospital onde atendia, naquela cidade, foi condenado a nove anos de prisão. Hélcio Andrade, que nega as acusações, foi autorizado pela justiça a aguardar o julgamento do recurso da condenação em liberdade, mas está proibido de exercer medicina até lá.
Ao todo, 24 mulheres denunciaram o médico em Março de 2010, quando o escândalo ficou conhecido, tendo este sido detido durante nove dias. O médico atendia há oito anos como ginecologista e obstetra na Casa da Mãe Taubateana, em Taubaté, que faz parte da rede pública de saúde. Segundo as denúncias, o arguido acariciava as pacientes de forma íntima, abraçava-as e fazia-lhes propostas indecentes quando elas já estavam nuas no consultório.
Uma jovem de 26 anos que procurou o médico para colocar um DIU (dispositivo intra-uterino para prevenção de gravidez), contou à polícia que Hélcio fez movimentos impróprios com a mão na sua vagina, como se a masturbasse, alegando que era um procedimento normal antes de introduzir o equipamento. Uma outra paciente, de 38 anos, descreveu que, quando estava em pé no consultório, já completamente nua, Hélcio a agarrou com força por trás, sugeriu-lhe que fizessem sexo e ainda adiantou que, se ela quisesse usar preservativo, ele tinha ali para lhe dar.
Das 24 denúncias registadas pela polícia, nove foram levadas a tribunal, e cinco delas foram consideradas provadas, provocando a condenação. O Conselho Regional de Medicina, órgão equivalente no Brasil à Ordem dos Médicos, apesar de já se terem passado quase dois anos, ainda está a analisar todas as queixas, antes de decidir se retira definitivamente a licença ao ginecologista.
O mais famoso médico brasileiro a ser acusado de molestar pacientes, o ginecologista e geneticista de São Paulo Roger Abdelmassih, condenado a 276 anos de prisão, continua a fugir à justiça, provavelmente num outro país. Abdelmassih, famoso e milionário, considerado o maior nome na área de inseminação artificial no Brasil e que atendia mulheres igualmente famosas e ricas que queriam engravidar mas não conseguiam, foi acusado em 2009 de ter violado sexualmente pelo menos 56 mulheres na sua luxuosa clínica na capital paulista, mantendo relações com elas enquanto estavam semi-inconscientes devido a sedativos que o médico lhes dava. Preso na altura, conseguiu um habeas corpus e desapareceu assim que foi colocado em liberdade.
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