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Greve geral do Brasil já provocou um morto

Dezenas de pessoas ficaram feridos em confrontos entre grevistas e polícia.

28 de abril de 2017 às 22:42

A greve geral levada a cabo esta sexta-feira no Brasil contra o governo do presidente Michel Temer foi marcada por violentos confrontos entre manifestantes e a polícia por quase todo o país, entre militantes pró e anti-governo e entre pessoas que bloqueavam vias e outras que se irritaram por não poderem passar. Às 17 horas brasileiras, 21 horas em Lisboa, havia o registo de pelo menos uma vítima mortal, vários feridos em incidentes em diversas cidades, e dezenas de detidos.

A vítima mortal é um manifestante que participava em Recife, capital do estado de Pernambuco, num ato contra as mudanças laboral e da segurança social propostas por Temer, que flexibilizam acentuadamente as leis do trabalho e reduzem drásticamente o acesso à reforma para quem já está ou vai entrar no mercado de trabalho. Um motorista irritado por ter a passagem impedida pelos manifestantes entrou emcontramão e atropelou mortalmente um motociclista.

Na Via Dutra, a auto-estrada que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, outro motorista tentou furar um bloqueio de grevistas e acabou por atropelar quatro jovens no município de Jacareí, no interior paulista. À hora referida, os jovens continuavam internados num hospital da cidade e o seu estado de saúde ainda não tinha sido divulgado.

Num outro incidente, este em Vitória, capital do estado do Espírito Santo, um ciclista foi agredido ao gritar palavras ofensivas contra manifestantes, e foi salvo pela polícia. No estado do Rio Grande do Norte, nordeste do país, mais um motorista irritado com a multidão que obstruía a estrada sacou uma arma e disparou contra a multidão, atingindo um advogado que participava no acto e foi levado para um hospital da região.

No Rio de Janeiro, manifestantes que ocuparam o átrio do Aeroporto Santos Dumont entraram em luta física contra pessoas contrárias à greve e com passageiros irritados com o tumulto, que dificultava o embarque e desembarque de quem ia viajar ou chegava de viagem. Ao longo de todo o dia, em diversos pontos do Rio houve confronto entre grevistas que bloquearam vias, entre elas a Ponte Rio-Niterói, e a polícia, que por volta das 21h00 também usou granadas de gás e balas de borracha para dispersar manifestantes concentrados junto à Assembleia Legislativa do estado, no centro da cidade.

Em São Paulo, onde desde o amanhecer grevistas fizeram diversas barricadas com pneus a arder em estradas de acesso e em diversas avenidas, a polícia de choque também usou granadas de gás para dispersar os grupos, que se reuniram ao início da noite numa grande manifestação na Avenida Paulista, onde o clima também era tenso nessa altura. Em Brasília, capital federal do país, manifestantes cortaram o acesso ao aeroporto internacional e, também aí, a polícia precisou de usar a força para abrir caminho, ao mesmo tempo que forças especiais da polícia e militares do Exército fizeram cordões de isolamento para protegerem o palácio presidencial e o Congresso.

Houve confrontos também em Goiânia, capital do estado de Goiás, com vários feridos, um deles em estado grave, Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, Santos, no litoral de São Paulo, e, em maior ou menor escala, um pouco por todo o país. Apesar de o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, ter considerado a greve geral um fracasso, em praticamente todas as grandes cidades brasileiras os transportes pararam total ou parcialmente e também não funcionaram escolas, comércio, bancos, repartições públicas e até alguns hospitais, ou porque os funcionários aderiram à paralisação ou porque não conseguiram chegar aos locais de trabalho.

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