Intervenção vai provocar um prejuízo mensal de 13 milhões de meticais (192 mil euros).
A gripe das aves foi diagnosticada numa unidade de produção na província moçambicana de Inhambane, levando ao abate de 45 mil galinhas poedeiras que produziam diariamente cerca de 44 mil ovos para consumo, foi esta quinta-feira anunciado.
Em causa está a relação com as dezenas de surtos de duas estirpes distintas de gripe das aves que estão a alastrar na vizinha África do Sul, de acordo com a preocupação manifestada pelas autoridades de Moçambique, que ordenaram o abate.
Trata-se de uma unidade de produção de ovos localizada no distrito de Morrumbene, no sul de Moçambique, propriedade de um empresário sul-africano, que abastecia de ovos aquela província, a mais turística do país e outras regiões limítrofes, a qual só retomará a laboração depois de concluído este processo, em fevereiro do próximo ano.
A intervenção junto desta unidade de produção de ovos, segundo o investidor, vai provocar um prejuízo mensal de 13 milhões de meticais (192 mil euros).
"Apelamos aos avicultores para que tomem as medidas de biosegurança nas suas unidades de produção", disse o diretor nacional de Desenvolvimento Pecuário, Américo da Conceição, a propósito deste caso.
A África do Sul abateu cerca de 2,5 milhões de galinhas num esforço para conter dezenas de surtos de duas estirpes distintas de gripe das aves, ameaçando uma indústria já em dificuldades, informou em 3 de outubro o governo sul-africano.
Mais de 205.000 galinhas morreram de gripe das aves em pelo menos 60 surtos distintos em todo o país, mais de metade dos quais na província de Gauteng, que inclui a maior cidade do país, Joanesburgo, e a capital administrativa, Pretória.
Algumas lojas pequenas de Joanesburgo começaram a limitar aos clientes a quantidade de ovos disponíveis e o governo reconheceu já que há "restrições de fornecimento".
O governo sul-africano está a acelerar a concessão de novas licenças de importação de ovos de outros países "para garantir aos consumidores um abastecimento suficiente", anunciou o ministro da Agricultura, Thoko Didiza.
O ministério está também a considerar o lançamento de um programa de vacinação para travar os surtos de gripe das aves e disse que o número de explorações com casos está a aumentar.
A Namíbia proibiu a importação de carne de frango e ovos da vizinha África do Sul.
Segundo a Associação Sul-Africana de Avicultura, esta crise de surtos de gripe das aves é a pior desde 2017.
Vários centros norte-americanos de Controlo e Prevenção de Doenças afirmaram no mês passado que os surtos de gripe das aves estão a aumentar a nível global, dando conta do registo de mais de 21.000 surtos em todo o mundo entre 2013 e 2022. A gripe das aves raramente infeta os seres humanos.
Os ovos são uma fonte de proteínas importante e acessível na África do Sul, mas os preços subiram constantemente este ano e a escassez causada pela gripe das aves deverá fazer subir novamente os preços e aumentar a inflação alimentar no país.
A indústria de carne de frango na África do Sul já foi duramente atingida este ano pela escassez de eletricidade, cujos apagões regulares para poupança de energia têm-se feito sentir na solvabilidade das empresas.
Os agricultores sul-africanos anunciaram em janeiro deste ano que tinham sido forçados a abater quase 10 milhões de pintos jovens, devido ao número recorde de apagões no início do ano registado pela economia mais avançada de África, provocando um abrandamento drástico da produção.
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