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Correio da Manhã

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Juiz nega ter sido pago por banco

O juiz espanhol Baltasar Garzón foi ontem ouvido como arguido pelo Supremo Tribunal, em Madrid, no âmbito do processo movido pelos advogados Antonio Panea e Luis Mazón, que o acusam de ter recebido 302 mil euros do Banco Santander quando esteve em Nova Iorque, entre 2005 e 2006, para posteriormente arquivar um processo contra responsáveis daquela instituição bancária, incluindo o seu presidente, Emilio Botín. Perante o instrutor do processo, Manuel Marchena, o juiz negou ter recebido dinheiro do banco.
16 de Abril de 2010 às 00:30
O juiz Baltasar Garzón chegou de semblante carregado e não fez declarações às dezenas de jornalistas que o esperavam
O juiz Baltasar Garzón chegou de semblante carregado e não fez declarações às dezenas de jornalistas que o esperavam FOTO: Susana Vera/Reuters

Acompanhado dos seus guarda--costas, Garzón chegou ao tribunal de semblante carregado e não fez declarações às dezenas de jornalistas que o aguardavam, nem mesmo à saída. Começou a depor às 10h30 e terminou às 15h20. Segundo o seu advogado, explicou a Marchena que o patrocínio recebido do Banco Santander para organizar dois cursos foi gerido pela Universidade de Nova Iorque, não tendo ele recebido um tostão. Refira-se que a própria universidade já deu contas de como gastou o dinheiro do patrocínio.

Além deste, Baltasar Garzón responderá ainda a mais dois processos perante o Supremo.

 

REI JUAN CARLOS E ADOLFO SUÁREZ 'PROCESSADOS'

Organizações humanitárias de Espanha e da Argentina, juntamente com o Prémio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, apresentaram em tribunais de Buenos Aires requerimentos para que se investigue os crimes de genocídio e lesa-humanidade cometidos durante a ditadura de Francisco Franco. Os requerentes fundamentam o pedido no princípio de "jurisdição universal" para julgar estes crimes contemplado na Constituição argentina. Os requerimentos afectam o rei Juan Carlos, chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas após a morte de Franco, em 1975, e Adolfo Suárez.

APONTAMENTOS

APOIANTES 

Ontem não houve manifestações a favor ou contra Baltasar Garzón. Junto ao tribunal estava apenas uma senhora que gritou "inocente, inocente" quando o juiz chegou e um homem que empunhava um cartaz em que se lia: "Corruptos e fascistas julgam juiz".

PROCESSOS

Garzón responde perante o Supremo em mais dois processos. Um relacionado com os crimes de franquismo e outro por escutas no caso Gürtel. Garzón não se sente perseguido pelo Supremo.

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