Candidatura em 2022 depende de várias condicionantes, incluindo a declaração de suspeição do ex-juiz Sérgio Moro.
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Libertado sexta-feira após 580 dias preso por corrupção, o ex-presidente Lula da Silva não demorou a revelar a sua grande prioridade ao voltar à vida política: ser novamente presidente do Brasil. Este sábado Lula comportou-se já como candidato ao discursar para uma multidão junto ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, onde começou a carreira sindical e política.
"Estou de volta", disse Lula ao lado de um grande boneco insuflável que o representava com a faixa presidencial, antes de atacar fortemente Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sérgio Moro, que o condenou quando era juiz. O ex-presidente disse ainda que chegou a hora de o povo "atacar e não de apenas se defender".
Em 2018, mesmo já condenado e preso, Lula tentou até ao último minuto disputar as presidenciais, cujas sondagens liderava, mas a Justiça considerou-o inelegível. Agora, libertado após o Supremo Tribunal ter considerado ilegal prender condenados antes de esgotados todos os recursos, Lula volta a perseguir o sonho da presidência, apesar das probabilidades escassas.
Para disputar as presidenciais de 2022 contra Bolsonaro, Lula teria de conseguir ser ilibado nos sete processos em que ainda é arguido, e ter anulada a condenação que o levou para trás das grades. Parece pouco provável mas não é de todo impossível, pois os advogados dele já pediram ao Supremo a anulação do processo alegando suspeição e parcialidade de Sérgio Moro, que o teria condenado para o tirar das presidenciais e garantir a eleição de Bolsonaro.
Decisão judicial abala Lava Jato
A decisão do Supremo Tribunal de considerar inconstitucional a prisão de condenados após confirmação da sentença em segunda instância, pode tirar da cadeia mais de metade dos presos pela operação anticorrupção Lava Jato. Estimativa dos procuradores da operação mostra que dos 74 condenados pela operação, 38 poderão ser libertados.
E o temor dos procuradores já começou a confirmar-se. Desde a tarde de sexta-feira, além de Lula da Silva, o preso mais famoso da Lava Jato, já foram libertados o antigo ministro José Dirceu, o empresário Sérgio Cunha Mendes, ex-vice presidente da construtora Mendes Júnior, e outros condenados por corrupção.
Dos 38 que poderão ser beneficiados, 13, entre eles Lula e o seu ex-ministro, estavam presos em regime fechado. Os outros cumprem outros tipos de pena, como prisão semiaberta ou domiciliar, como o ex-presidente da construtora Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e poderão ser isentados das medidas restritivas.
Apresenta namorada e já fala em casamento
No seu primeiro ato público após ser libertado da prisão, ainda em Curitiba, Lula fez questão de apresentar à multidão de apoiantes a sua nova namorada, a socióloga Rosângela da Silva, de 40 anos, que ele trata como ‘Janja’. Eles conheceram-se no final dos anos 90, quando Lula percorreu o Brasil de lés a lés, e mantiveram uma amizade próxima até há cerca de um ano, quando o ex-presidente, viúvo de Marisa Letícia desde 2017, confidenciou a amigos que estavam a namorar.
Ela visitou-o assiduamente na cadeia, e, no palco em frente à prisão, Lula e ‘Janja’ trocaram muitos beijos e abraços, para delírio da multidão. Lula, de 74 anos, que já antes de ser libertado tinha dito que uma das prioridades ao sair da cadeia era casar com a socióloga, reafirmou esse propósito no discurso de sexta-feira. Amigos do ex-presidente já estarão a procurar uma residência para o casal, pois Lula não quer viver com ‘Janja’ no apartamento de São Bernardo do Campo, onde viveu com a falecida esposa.
Bolsonaro chama "canalha" a Lula
O presidente Jair Bolsonaro chamou este sábado "canalha" ao antigo presidente, sem no entanto o citar pelo nome. "Não deem munição ao canalha, que está livre momentaneamente, mas carregado de culpa. Somos a maioria, não podemos cometer erros", escreveu no Twitter. Já o filho do presidente, Carlos Bolsonaro, foi mais incisivo e escreveu, também no Twitter: "Comemorem, criminosos", aludindo às manifestações de regozijo dos simpatizantes de Lula após a sua libertação.
Quer voltar a percorrer o país
Repetindo o que fez nos anos 90, Lula quer percorrer todas as regiões brasileiras e ter um contacto próximo com a população, como ele gosta, para cimentar uma possível candidatura à presidência.
Unir a esquerda e liderar oposição
Um dos objetivos de Lula é reorganizar a esquerda, dividida nas eleições que levaram Bolsonaro ao poder, e galvanizar os descontentes numa grande oposição popular contra o atual governo.
Moro lamenta mas respeita decisão
O ex-juiz Sérgio Moro, que condenou Lula, disse que "respeita" a decisão do Supremo. "Lutar pela justiça e pela segurança pública não é tarefa fácil. Previsíveis vitórias e revezes. Preferimos a primeira e lamentamos a segunda, mas nunca desistiremos", afirmou.
PORMENORES
Marcelo não comenta
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, evitou este sábado comentar a libertação de Lula "para não se imiscuir na vida de outros países", mas admitiu que acompanha a situação no Brasil.
Maduro emocionado
"O povo venezuelano está feliz e saúda a libertação do irmão Lula", escreveu no Twitter o PR venezuelano Nicolás Maduro, que considerou "muito emocionante" voltar a ver em liberdade "um grande líder do Brasil, da América Latina e do Mundo".
Cuba celebra
Também o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Cuba saudou a decisão do Supremo Tribunal brasileiro. "O povo de Cuba celebra a liberdade de Lula após 580 dias de encarceramento injusto."
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