O Brasil, maior nação católica do Mundo, tem a partir de hoje o seu próprio santo nascido no país, Frei Galvão, que será canonizado esta manhã pelo Papa Bento XVI numa missa campal na pista de um aeroporto de São Paulo, perante mais de um milhão e meio de fiéis. Num compromisso com final bem menos positivo, na reunião de ontem com o Sumo Pontífice o presidente Lula da Silva recusou propostas do Vaticano, entre as quais tornar obrigatório o ensino religioso nas escolas públicas brasileiras, e reafirmou o Brasil como estado laico.
Orientado por conselheiros de relações internacionais, Lula, de acordo com uma fonte da sua assessoria, afirmou ao Sumo Pontífice que a função da Igreja é cuidar dos problemas espirituais e ajudar nas questões sociais. O Papa propôs ao presidente a assinatura de um acordo entre o Vaticano e o Brasil, pelo qual este país reconheceria à Igreja Católica direitos e privilégios, garantiria isenção de impostos e a preservação de templos, liberdade total de culto, facilidades na concessão de vistos a missionários e a obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas públicas. Lula rejeitou todas as sugestões. Apesar disso, e ainda segundo a mesma fonte, Bento XVI terá afirmado que não se dava por vencido e que esperava conseguir assinar o acordo ainda durante o seu papado e o mandato de Lula, ou seja, nos próximos três anos.
O ‘não’ de Lula às propostas do Vaticano não chegam no entanto para ensombrar a visita pastoral. Hoje, concretizando um anseio antigo dos católicos brasileiros e num momento de grande importância para a Igreja local, terá lugar a canonização de Frei Galvão, que será santificado com o nome de Santo António de Sant’Anna Galvão.
Além da reunião que manteve com o presidente Lula da Silva, Bento XVI teve ontem mais um ponto alto na agenda da visita de cinco dias que está a efectuar ao Brasil. Dezenas de milhar de jovens convergiram para o estádio de futebol de Pacaembu para se reunirem e saudarem o chefe da Igreja Católica. De facto, mesmo sem ter com o Brasil a mesma relação forte de João Paulo II, Bento XVI tem reunido surpreendente apoio popular. Caravanas de todo o país e de vários Estados da América Latina peregrinaram até S. Paulo para saudar o Papa e multidões têm enfrentado chuvas fortes e as temperaturas baixas do ano para o felicitarem nas deslocações de papamóvel.
- Bento XVI vai beber cinco vinhos portugueses made in Brasil, da marca Rio Sol, durante a visita ao país, anunciou a empresa Dão Sul. A empresa, que produz os vinhos Quinta de Cabriz e Casa de Santar, é accionista da Vinibrasil, cujos vinhos Rio Sol serão os únicos do Brasil a serem escolhidos para compor a ementa do Papa.
- Os jovens não têm regateado apoio a Bento XVI nesta sua primeira visita pastoral ao Brasil. Ontem convergiram aos milhares para o Estádio de futebol de Pacaembu, em S. Paulo, onde o Sumo Pontífice vai ouvir os mais novos, em quem deposita a esperança de poderem renovar a espiritualidade cristã.
- O rigor da segurança é tão grande que foi mesmo proibido o uso de guarda-chuvas em todas as cerimónias com a presença do Papa, mesmo ao ar livre, como as missas de amanhã em São Paulo e no domingo na cidade de Aparecida. Isto numa semana em que toda a região está sob fortes chuvadas...
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.