Artemis II captou milhares de imagens inéditas do satélite e está já de regresso à Terra, sendo esperada a chegada na sexta-feira com um mergulho no Pacífico.
Trump fala com os astronautas da Artemis II: “Vocês fizeram história e deixaram toda a América muito orgulhosa”
AP
“É maravilhoso escutar novamente a Terra. Vamos sempre escolher a Terra. Vamos sempre escolher-nos uns aos outros.” A frase foi proferida pela astronauta Christina Koch, após 40 minutos em que a nave ‘Orion’ fez ontem história, voando no lado negro da Lua (um ‘lugar’ imortalizado num mítico álbum de Pink Floyd) e ficou sem qualquer contacto com o nosso planeta. Durante o sobrevoo lunar de sete horas, os quatro astronautas - Victor Glover, Reid Wiseman e Jeremy Hansen, além de Koch - foram observadores privilegiados de um eclipse solar (quando a Lua tapou momentaneamente o Sol) e de novas crateras lunares. “Estou boquiaberto com aquilo que se consegue ver da Lua a olho nu, é inacreditável”, disse Jeremy Hansen, o único astronauta canadiano da missão. A nave esteve apenas a 6545 quilómetros da Lua e os astronautas aproveitaram para tirar milhares de fotografias da superfície, com câmaras Nikon e com os seus próprios iPhones, que serão agora estudadas pela NASA.
Uma das imagens captadas (e que ilustra estas páginas) fica para a história por reeditar uma tirada pela missão Apollo 8 em 1968 e que ficou conhecida por ‘Earthrise’ (amanhecer da Terra). Esta nova foto mostra a Terra a esconder-se por trás do horizonte lunar, num movimento denominado ‘earthset’ (pôr da Terra). Após ter batido o recorde da Apollo 13 em 1970, voando até à maior distância a partir da Terra (406 771 km), a ‘Orion’ está já de regresso, devendo mergulhar no oceano Pacífico, junto a San Diego, EUA, na sexta-feira.
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PORMENORES
Dois homens na Lua em 2028
A Artemis II foi a primeira missão tripulada da NASA à Lua desde a Apollo 17, em 1972. Esta viagem funciona como uma antecâmara para a missão Artemis III prevista já para o próximo ano, e na qual uma nova tripulação irá treinar o acoplamento com módulos de pouso lunar. O objetivo é que na missão Artemis IV, em 2028, dois astronautas cheguem à Lua.
Apreciem a vista
Os astronautas iniciaram ontem o dia a ouvir a voz do comandante da Apollo 13 (1970), Jim Lovell, numa mensagem gravada antes da sua morte em agosto de 2025. “Bem-vindos ao meu antigo bairro. É um dia histórico e sei que estarão muito ocupados, mas não se esqueçam de apreciar a vista”, disse, tendo Wiseman confessado estar honrado pela mensagem.
Donald Trump: “Vocês são pioneiros modernos”
O Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, conversou com os quatro astronautas, a quem deu os parabéns, sublinhando que tinham feito “história”. “São pioneiros modernos, todos vocês. Têm muita coragem para fazer o que estão a fazer”, afirmou Trump, acrescentando: “Hoje, vocês fizeram história e conseguiram com que todos os Estados Unidos se sintam realmente orgulhosos, incrivelmente orgulhosos.” O Presidente norte-americano lembrou que há muitas outras missões espaciais a caminho, destacando “a grande viagem até Marte”. Trump garantiu também que salvou a NASA no seu primeiro mandato: “Tinha uma decisão a tomar. Vamos fazê-la renascer ou fechá-la? Não hesitei muito. Gastámos o [dinheiro] que foi preciso.”
A verdade é que neste segundo mandato, o Presi- dente dos EUA propôs um corte de 24% no orçamento da agência espacial norte-americana, embora tenha reforçado as missões tripuladas.
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